Queria ser original...mas não consigo.
Fica a sinceridade do voto, afinal o que mais importa no meio desta catrafada toda.
FELIZ 2007!!
PS.: prometo redimir-me em breve...
O Lugar do Corgo podia ser mais um de tantos blogs...e é. Ou se calhar não, é pior. Sei lá, pode ser o que quiserem, who cares??
domingo, dezembro 31, 2006
segunda-feira, dezembro 25, 2006
Christmas divagations

Há dias fui obrigado a comprar uma peça nova para o carro. Até aqui tudo bem, mas só até à parte do preço. “É caro mas bom!”, argumentava a senhora. O que me dá margem para toda uma série de divagações. Não que importe discutir a valia técnica do componente, a forma como encaixará na perfeição no conjunto da máquina ou até como fará o veículo chegar aos 100 em 5 segundos. O que interessa verdadeiramente aqui é o conceito subjacente, isto é, tudo o que é bom terá de ser efectivamente caro? Ou posto por outras palavras, tudo o que é bom tem um preço?
A questão coloca-se permanentemente na nossa vida. O sacrifício pessoal é algo de nobre, mas por vezes inútil. Os esforços medem-se em escalas diferentes, como se de sistemas de medida independentes se tratassem, porque o mundo é mesmo assim, pleno de diversidade e mentalidades.
Para sempre perseguirei as razões do ser, do agir, do acontecer. Não importa a forma, as consequências, mas a busca em si, o objecto do gesto, se calhar nunca as respostas, mas a pergunta por si só. É a última fronteira que me separa da loucura, de um sistema de vida conformado e dogmático, sem ponta de irreverência pela qual esta passagem faça sentido. É o meu último reduto, o meu último refúgio, aquilo a que me agarro naquelas noites mais difíceis antes de adormecer. Sim, logo a seguir aos pensamentos auto-destrutivos e à tentativa infrutífera de trazer mais alguma justiça a este mundo. Logo a seguir a descobrir que sou paciente, porventura chato, excessivamente obcecado em ideias e assuntos de mentalidade e afins, honesto até uma permissividade que me arrasa. Mas livre.
Talvez por isso esteja a escrever sozinho, ao sol, em plena tarde de Natal. Sozinho não, tenho a minha avozita, vergada pelo peso de uma dessas coisas que não fazem sentido na vida, sentada a meu lado. E isso orgulha-me.
A questão coloca-se permanentemente na nossa vida. O sacrifício pessoal é algo de nobre, mas por vezes inútil. Os esforços medem-se em escalas diferentes, como se de sistemas de medida independentes se tratassem, porque o mundo é mesmo assim, pleno de diversidade e mentalidades.
Para sempre perseguirei as razões do ser, do agir, do acontecer. Não importa a forma, as consequências, mas a busca em si, o objecto do gesto, se calhar nunca as respostas, mas a pergunta por si só. É a última fronteira que me separa da loucura, de um sistema de vida conformado e dogmático, sem ponta de irreverência pela qual esta passagem faça sentido. É o meu último reduto, o meu último refúgio, aquilo a que me agarro naquelas noites mais difíceis antes de adormecer. Sim, logo a seguir aos pensamentos auto-destrutivos e à tentativa infrutífera de trazer mais alguma justiça a este mundo. Logo a seguir a descobrir que sou paciente, porventura chato, excessivamente obcecado em ideias e assuntos de mentalidade e afins, honesto até uma permissividade que me arrasa. Mas livre.
Talvez por isso esteja a escrever sozinho, ao sol, em plena tarde de Natal. Sozinho não, tenho a minha avozita, vergada pelo peso de uma dessas coisas que não fazem sentido na vida, sentada a meu lado. E isso orgulha-me.
domingo, dezembro 24, 2006
Merry Christmas
Aos cerca de 4 amigos e 2 emigrantes de leste que visitam este humilde espaço, ficam os sinceros votos típicos da quadra, que é como quem diz, pelo menos por aquilo que me ensinaram, BOM NATAL!!
Em vez da bonecada costumeira, deixo este link, experimentem que é engraçado...
http://www.busybus.co.uk/design/xmas_santa.swf
Em vez da bonecada costumeira, deixo este link, experimentem que é engraçado...
http://www.busybus.co.uk/design/xmas_santa.swf
sábado, dezembro 09, 2006
sexta-feira, dezembro 08, 2006
O que foi aquilo?
Matosinhos, uma da manhã, fiat da Marta. Conversa entretida entre amigos, frio lá fora, vidros embaciados. Vindo do nada, surge, de braço dado a um qualquer figurante, Rui Reininho. O tal das dunas e do efectivamente e da panca na cabeça. Dirige-se a nós, sorridente, como amigo de longa data, abre a porta da frente, cumprimenta a Marta com dois beijos e despede-se, balbuciando qualquer coisa como "isto é só droga..."
Alguém, de bom senso, sério, íntegro, e preferencialmente sem registo criminal, por favor, me explica... que raio foi aquilo? Um "flash", um "vibe", uma alucinação colectiva?! Juro pelo que existe de mais sagrado, só bebi mesmo um chocolate quente...
terça-feira, dezembro 05, 2006
segunda-feira, novembro 27, 2006
Chuva lá fora. A alegria entrecortada. Chuva cá dentro.
A mais pura certeza que a alma só se abre quando o espírito não é mais do que uma janela molhada.
Quis o mundo mostrar-me o mais básico dos anticivismos. Coisas de pouca monta, trivialidades de um jogo que não interessa à cultura.
A alegria entrecortada.
O sofá parece acolhedor nestas alturas. Uma série da Fox e umas bolachas de chocolate. Envelhece-se depressa, sem deixar correr o tempo. Os pequenos prazeres parecem sempre demasiado efémeros...
A mais pura certeza que a alma só se abre quando o espírito não é mais do que uma janela molhada.
Quis o mundo mostrar-me o mais básico dos anticivismos. Coisas de pouca monta, trivialidades de um jogo que não interessa à cultura.
A alegria entrecortada.
O sofá parece acolhedor nestas alturas. Uma série da Fox e umas bolachas de chocolate. Envelhece-se depressa, sem deixar correr o tempo. Os pequenos prazeres parecem sempre demasiado efémeros...
quinta-feira, novembro 09, 2006
Inspiro-me
Inspiro-me? Nada mais errado.
Como se o ego não se construísse. Deixaste-me assim, a pele nua. Um Outono de palavras, com folhas secas de pontuação. Foi-se o momento, a respiração sentida. Agora o que resta é um manto de pensamentos. O peito cansado e uma memória recalcada.
Espero rever-te, sem mais delongas, o negro justo, o coração apertado, a esperança de que retornas... sempre. Sem destinos retorcidos, confusões de tempos ou relógios chatos, inoportunos. Apenas tu. Como se o mundo não se concluísse. Basta-me o olhar, o sorriso, o peso da tua mão...
Agora sim, inspiro-me. O tempo passa, mas tu não.
segunda-feira, novembro 06, 2006
Sucesso

Hoje fui o último a sair do balneário. Apetecia-me sentir até ao último assomo da sua existência temporal aquele saborzinho da vitória, aquele eco dos festejos, aquele trago de sucesso que senti também ser meu. Acima de tudo sentia-me útil. Aquilo a que os mais românticos chamarão a “sensação do dever cumprido”. O sucesso será sempre mais uma ferramenta de medição das coisas, bem sei, não comparável à rectidão de uma fita métrica ou de um conta-quilómetros, mas ignorando-se as intromissões de invejas ou afins, o seu valor é inegável e de longe o mais reconhecido. Tem o poder de esquecer agruras e relevar optimismos. De afastar maus augúrios e exacerbar agradecimentos. Mas também a capacidade de por ténues momentos, pelo meio dos seus exageros, arrastar consigo a justiça…
Apertei o casaco e olhei uma última vez para a bancada agora vazia. Ao fundo as nuvens laranja, silenciosas companheiras de cenário, em último vislumbre de tranquilidade… Era tempo de voltar à vida, às perrices, aos distanciamentos indevidos, às pressões, aos egoísmos, às reflexões de pé de chinelo e um mais não sei quê de algo que não importa.
Deixemo-nos por momentos de apertos indevidos. Já bastam as amarras da mente, aquelas que nos incomodam quando a sorte tudo torna fácil, demasiado simples para aqueles pensamentos intrincados. Há-de vir sempre mais uma filosofia, um estigma que teime em estragar e tirar o sentido das coisas.
Deixem-me por momentos respirar o ar de fim de tarde, relaxar ao sabor de uma tranquilidade doce, sentir a brisa, não o vento, desligar o rádio e seguir caminho em estrada aberta…
Deixem-me parar de ser injusto, de procurar incessantemente a justiça, de ter medo de arriscar, de arriscar quando não sei, de não pensar antes de agir, de viver a vida a pensar…
Libertem-me as amarras da mente, os complicómetros da vida, deixem-me alcançar a realização, deixem-me ousar seguir o trilho… em direcção ao sucesso.
Apertei o casaco e olhei uma última vez para a bancada agora vazia. Ao fundo as nuvens laranja, silenciosas companheiras de cenário, em último vislumbre de tranquilidade… Era tempo de voltar à vida, às perrices, aos distanciamentos indevidos, às pressões, aos egoísmos, às reflexões de pé de chinelo e um mais não sei quê de algo que não importa.
Deixemo-nos por momentos de apertos indevidos. Já bastam as amarras da mente, aquelas que nos incomodam quando a sorte tudo torna fácil, demasiado simples para aqueles pensamentos intrincados. Há-de vir sempre mais uma filosofia, um estigma que teime em estragar e tirar o sentido das coisas.
Deixem-me por momentos respirar o ar de fim de tarde, relaxar ao sabor de uma tranquilidade doce, sentir a brisa, não o vento, desligar o rádio e seguir caminho em estrada aberta…
Deixem-me parar de ser injusto, de procurar incessantemente a justiça, de ter medo de arriscar, de arriscar quando não sei, de não pensar antes de agir, de viver a vida a pensar…
Libertem-me as amarras da mente, os complicómetros da vida, deixem-me alcançar a realização, deixem-me ousar seguir o trilho… em direcção ao sucesso.
PS.: Não tenho outra tradução para a injustiça: desculpa-me.
sábado, novembro 04, 2006
Um minutinho
Eh pah, façam uma pausa e tirem um minutinho... Depois digam-me se não valeu a pena :p
http://www.youtube.com/watch?v=X7SWS4RoUYU
http://www.youtube.com/watch?v=X7SWS4RoUYU
domingo, outubro 29, 2006
O jogo...

A pedido de algumas famílias, aqui fica a crónica do clássico. Aquele jogo. O jogo...
FCP 3 SLB 2
Com um início de jogo agressivo, a pressionar bem alto e a cortar as iniciativas do adversário bem junto à área benfiquista, o FCP encostou o rival às cordas. Anderson e Quaresma conseguiam ter bola nos pés no último terço de campo e isso constitui, por si só, um risco que normalmente se paga caro. Daí que, já depois de Lucho ter posto à prova Quim e Anderson ter tirado tinta à barra, ambos em lance de bola parada, o golo de Postiga/Lisandro, tenha vindo mesmo a calhar para as ambições portistas. Indiscutivelmente um golo de sorte, mas também uma consequência lógica da sagacidade da entrada portista e, mais do que isso, do excelente momento psicológico que atravessa o avançado, rematador, dinamizador, chatinho para os defesas, para mim o melhor jogador em campo.
O Benfica, por sua vez, tal como disse o engenheiro, falhava claramente no processo defensivo (muito espaço entre linhas, falta de agressividade na luta pela posse de bola, desacerto nas marcações), contudo, desde cedo começou a explorar a brecha que era o lado direito da defesa azul, o lateral Fucile, jogador com grande propensão atacante mas demasiado tenro a defender. Leo só não fez mais porque o pé direito não o permitiu…
Sem tirar o pé do acelerador, o Porto chegou ao 2-0. Momento mágico de Quaresma, a limpar Nelson do lance e depois a “engatar” aquele fantástico remate em arco. O Benfica andou depois a deriva. Os azuis aproveitaram o elan e chegaram-se a ver cruzamentos de letra. Não será excessivo afirmar que cheirou a goleada. Mas surge depois o momento do jogo. Anderson sofre entrada dura de Katsouranis e sai, lesionado. Jesualdo não arrisca e reforça a intermédia com Meireles. 1º erro, Lucho não é jogador para assumir decisões na transição defesa-ataque, e com dois médios defensivos a linha baixa do meio campo portista parece vacilar (como se havia notado contra o Sporting). Notou-se variadas vezes quando o desamparado Fucile tinha que levar com Simão, Leo, as vezes Paulo Jorge. À falta de extremo para ajudar a defender (Lisandro é voluntarioso, mas ocupa ineficazmente os espaços, Quaresma simplesmente não vem), e com Lucho com mais liberdade para atacar, seria um dos médios mais recuados a ter a obrigação de fechar o flanco, o que nunca veio a acontecer durante todo o jogo. O Benfica consegue então equilibrar a contenda, acerta as iniciativas de ataque e esmaga completamente o lado direito portista, graças ao qual cria duas oportunidades de golo, por Kikin e Paulo Jorge. Helton responde com classe.
A segunda parte inicia-se ao mesmo ritmo. Os benfiquistas entram forte, sempre a atacar pela esquerda. Depois uma fase de equilíbrio, mais graças ao voluntarismo de Postiga e ao talento de Quaresma do que propriamente à capacidade de circulação de bola portista, quase nula depois da saída de Anderson. Com a entrada de Nuno Assis e Mantorras, o Benfica assume claramente a superioridade do jogo. Katsouranis aproveita a ingenuidade de Fucile e reduz. Jesualdo demora a reagir e quando faz, fá-lo mal. Tira o único desiquilibrador e faz entrar Tarik, sem ritmo e sem chama. Depois de perda de bola de Cech (era notório que não havia a quem passar a bola em fase da definição do último passe), uma jogada exemplar do contra-ataque benfiquista e o empate, por Nuno Gomes. Justo.
O final de jogo foi emocionante. Havia claramente duas equipas a procurar a vitória. O FCP aproveitou-se talvez do seu maior querer e da sorte do jogo que já havia mostrado ter aquando da marcação do primeiro tento. Ironicamente foi Fucile a lançar. Não já tão ironicamente foi Moraes a marcar. O miúdo foi a melhor (única boa) substituição do professor Jesualdo.
Em suma, o empate parecia-me o resultado mais justo. Mas também há que reconhecer, que nos momentos de superioridade, o Porto conseguiu mesmo encostar o adversário as cordas, e a infelicidade de Anderson, a meu ver, foi mais de metade da felicidade do Benfica. Mas fica o mais importante, um excelente jogo de futebol…
O Benfica, por sua vez, tal como disse o engenheiro, falhava claramente no processo defensivo (muito espaço entre linhas, falta de agressividade na luta pela posse de bola, desacerto nas marcações), contudo, desde cedo começou a explorar a brecha que era o lado direito da defesa azul, o lateral Fucile, jogador com grande propensão atacante mas demasiado tenro a defender. Leo só não fez mais porque o pé direito não o permitiu…
Sem tirar o pé do acelerador, o Porto chegou ao 2-0. Momento mágico de Quaresma, a limpar Nelson do lance e depois a “engatar” aquele fantástico remate em arco. O Benfica andou depois a deriva. Os azuis aproveitaram o elan e chegaram-se a ver cruzamentos de letra. Não será excessivo afirmar que cheirou a goleada. Mas surge depois o momento do jogo. Anderson sofre entrada dura de Katsouranis e sai, lesionado. Jesualdo não arrisca e reforça a intermédia com Meireles. 1º erro, Lucho não é jogador para assumir decisões na transição defesa-ataque, e com dois médios defensivos a linha baixa do meio campo portista parece vacilar (como se havia notado contra o Sporting). Notou-se variadas vezes quando o desamparado Fucile tinha que levar com Simão, Leo, as vezes Paulo Jorge. À falta de extremo para ajudar a defender (Lisandro é voluntarioso, mas ocupa ineficazmente os espaços, Quaresma simplesmente não vem), e com Lucho com mais liberdade para atacar, seria um dos médios mais recuados a ter a obrigação de fechar o flanco, o que nunca veio a acontecer durante todo o jogo. O Benfica consegue então equilibrar a contenda, acerta as iniciativas de ataque e esmaga completamente o lado direito portista, graças ao qual cria duas oportunidades de golo, por Kikin e Paulo Jorge. Helton responde com classe.
A segunda parte inicia-se ao mesmo ritmo. Os benfiquistas entram forte, sempre a atacar pela esquerda. Depois uma fase de equilíbrio, mais graças ao voluntarismo de Postiga e ao talento de Quaresma do que propriamente à capacidade de circulação de bola portista, quase nula depois da saída de Anderson. Com a entrada de Nuno Assis e Mantorras, o Benfica assume claramente a superioridade do jogo. Katsouranis aproveita a ingenuidade de Fucile e reduz. Jesualdo demora a reagir e quando faz, fá-lo mal. Tira o único desiquilibrador e faz entrar Tarik, sem ritmo e sem chama. Depois de perda de bola de Cech (era notório que não havia a quem passar a bola em fase da definição do último passe), uma jogada exemplar do contra-ataque benfiquista e o empate, por Nuno Gomes. Justo.
O final de jogo foi emocionante. Havia claramente duas equipas a procurar a vitória. O FCP aproveitou-se talvez do seu maior querer e da sorte do jogo que já havia mostrado ter aquando da marcação do primeiro tento. Ironicamente foi Fucile a lançar. Não já tão ironicamente foi Moraes a marcar. O miúdo foi a melhor (única boa) substituição do professor Jesualdo.
Em suma, o empate parecia-me o resultado mais justo. Mas também há que reconhecer, que nos momentos de superioridade, o Porto conseguiu mesmo encostar o adversário as cordas, e a infelicidade de Anderson, a meu ver, foi mais de metade da felicidade do Benfica. Mas fica o mais importante, um excelente jogo de futebol…
sexta-feira, outubro 27, 2006
Sentiste?

Sentiste o mundo a parar?
As gotas da chuva que subitamente já não molhavam, as nuvens que agora já não corriam, a leve brisa do vento que por instantes cessou?
O momento de paz que se prolonga sem destino aparente, o pensamento que se afasta, para bem longe, para a terra do mar e dos luares brilhantes, das folhas secas decalcadas em cada passo teu, do bocadinho de céu deixado para trás pelos anjos em dia de pressa indevida…
Sei porque o sinto. Acabou-se o temor. Só porque algo acontece. Tu. Basta-me, envolve-me, engrandece-me, completa-me. Algures entre a indignação e a virtude…ou apenas entre o sentimento que permanece, imune a intempéries ou inundações mundanas, muito menos esse oceano…
Vejo as árvores de outra maneira, agora têm nome, personalidade, protegem-nos! A vida prega-nos cada partida… O beijo? :) sorrio, apenas. Quero que tudo seja assim… Um beijo, um sorriso, uma gota, um abraço, um sem número de acasos simples que esbocem esse trilho. Que a lua apareça em todas as noites. Que a água continue a correr, lentamente, nos rios. Que a terra, vista da lua, continue a ser azul…
O beijo? Sorrio, apenas…
As gotas da chuva que subitamente já não molhavam, as nuvens que agora já não corriam, a leve brisa do vento que por instantes cessou?
O momento de paz que se prolonga sem destino aparente, o pensamento que se afasta, para bem longe, para a terra do mar e dos luares brilhantes, das folhas secas decalcadas em cada passo teu, do bocadinho de céu deixado para trás pelos anjos em dia de pressa indevida…
Sei porque o sinto. Acabou-se o temor. Só porque algo acontece. Tu. Basta-me, envolve-me, engrandece-me, completa-me. Algures entre a indignação e a virtude…ou apenas entre o sentimento que permanece, imune a intempéries ou inundações mundanas, muito menos esse oceano…
Vejo as árvores de outra maneira, agora têm nome, personalidade, protegem-nos! A vida prega-nos cada partida… O beijo? :) sorrio, apenas. Quero que tudo seja assim… Um beijo, um sorriso, uma gota, um abraço, um sem número de acasos simples que esbocem esse trilho. Que a lua apareça em todas as noites. Que a água continue a correr, lentamente, nos rios. Que a terra, vista da lua, continue a ser azul…
O beijo? Sorrio, apenas…
PS.: este sol radioso…ou o poder do teu sorriso? ;)
sexta-feira, outubro 20, 2006
Dias...

Há dias…
Aqueles dias em que se acorda ao contrário, virado para os astros do mal, amaldiçoando a chuva na vidraça que há bem pouco tempo nos afagava antes do sono…
Aqueles dias em que procura um rumo, se luta por esse reconhecimento, por essa festinha na alma que nos faça sentir melhor, se procura um sucesso firme, uma etapa verdadeira…
Os dias em que acordar não é mais do cumprir o piloto automático…
Valha-nos um recanto… A luz da lua, outra vez, as sombras de um encanto inesgotável, a beleza de uma alma tão pura que nos parece janela para o céu… Uma sorte que nos faz parecer indignos perante tamanha graciosidade…
Afinal acordei abençoado…afinal a chuva na vidraça mais não era que a antecâmara da tua visita, com o encanto de uma manhã de Outono, mais as folhas secas, o ambiente calmo e acolhedor, o gesto simples e afável, a ternura que só tu sabes oferecer…
“Will you still love me in the morning?”
“Forever and ever, babe…”
Aqueles dias em que se acorda ao contrário, virado para os astros do mal, amaldiçoando a chuva na vidraça que há bem pouco tempo nos afagava antes do sono…
Aqueles dias em que procura um rumo, se luta por esse reconhecimento, por essa festinha na alma que nos faça sentir melhor, se procura um sucesso firme, uma etapa verdadeira…
Os dias em que acordar não é mais do cumprir o piloto automático…
Valha-nos um recanto… A luz da lua, outra vez, as sombras de um encanto inesgotável, a beleza de uma alma tão pura que nos parece janela para o céu… Uma sorte que nos faz parecer indignos perante tamanha graciosidade…
Afinal acordei abençoado…afinal a chuva na vidraça mais não era que a antecâmara da tua visita, com o encanto de uma manhã de Outono, mais as folhas secas, o ambiente calmo e acolhedor, o gesto simples e afável, a ternura que só tu sabes oferecer…
“Will you still love me in the morning?”
“Forever and ever, babe…”
domingo, outubro 15, 2006
O talvez e o sacrifício

Tenho um banco no pátio em que me costumo sentar para escrever. Hoje lembrei-me do quanto havia já passado desde a última vez que o usara. Penso que talvez tenha mudado o meu sistema de orientações, de forma a que as divagações existenciais já não mereçam espaço privilegiado por entre as preocupações rotineiras ou os assuntos de amor que tanto enobrecem a alma. A mesma ordem de razões que me impedem de deixar escorrer aquele lado manhoso de temporadas passadas, de trago fácil e cigarrada à descrição, estórias contadas ao sabor de um cálice e de um discurso sentido. Talvez com propriedade possa dizer que me sinto velho. Talvez não esteja talhado para viver entre as preocupações mundanas da sociedade que nos acolhe. Ou talvez apenas não queira aceitar os sacrifícios como vivências quotidianas como toda a gente os vê. Talvez não olhe para o sacrifício como algo curriqueiro, porque na equação simples da vida sempre me habituei a olhar para ele apenas como um meio para atingir um fim. Um fim que mais não represente do que o inicio de uma nova luz, um fim que motive, que nos lembre o que fazemos por aqui, o objecto de uma existência. Um fim que nos orgulhe…e que nos trace um rumo. Dito assim, quase que aposto, ninguém lhe chama sacrifício…
"Temos de renunciar ao mundo para o compreender."
Jean Grenier
segunda-feira, setembro 25, 2006
O momento...

Já viste estas nuvens? E as montanhas? E as luzes das casinhas perdidas no horizonte?
Eu sei, são bonitas…
Só dizes isso? Como podes ficar tão indiferente?
Conheço tudo isto, moro por cá…
Tens ideia da sorte que te assalta?
Talvez não, desconheço o meu rumo.
E não te preocupas?
Isso ser-me-ia completamente inútil.
Não posso acreditar! Apercebes-te tu da infinidade de coisas que te rodeiam? Dos pormenores que tornam a tua existência algo mais do que aprazível? Da aura que te acompanha para todo o lado para onde vais, como se de um anjo da guarda se tratasse? Acorda, vive, sente…A vida, não fundo, não passa de um momento.
"Pensa no momento. Todo o pensamento que perdura é contradição."
Marcel Schwob
segunda-feira, setembro 18, 2006
Os melhores momentos do amor

"Nos transportes do amor, na conversa com a amada, nos favores que recebes dela, até nos mais extremos, vais mais em busca da felicidade do que à tentação de provar isso de que o teu coração agitado sente uma grande falta, um não-sei-quê de menos do que ele esperava, um desejo de algo, mesmo de muito mais. Os melhores momentos do amor são aqueles de uma tranquila e doce melancolia em que choras e não sabes porquê, e te resignas quase na quietude a um infortúnio que desconheces. Nessa quietude, a tua alma está quase cumulada, e quase sente o gosto da felicidade. Assim como no amor, que é o estado da alma mais rico de prazeres e ilusões, a melhor parte, a via mais correcta para o prazer e para uma sombra de felicidade é a dor."
Giacomo Leopardi, in 'Pensamentos Diversos'
domingo, setembro 10, 2006
Confissões de uma mente perigosa...

Os momentos de reflexão têm destas coisas, a de por vezes nos mostrarem as nossas burrices. Gostava ter começado aqui de outra forma. A sério que sim. Acho que a origem deste quadro de registos merecia outra coisa. Mas tal como não podes fugir dos teus próprios medos, também eu por vezes me sinto incapaz de tornear os meus defeitos. Está claro que nunca irei conseguir ser tão bom como tu. Estás nos píncaros de tudo o que a bondade pode significar. Eu limito-me a seguir os trâmites desta vida que me persegue a cada dia que passa. Tomo as decisões em função do que penso ser correcto. Meço o meu ego, encho-o à custa de calculismos fúteis e sigo a minha vida, esquecendo-me muitas vezes do maior raio de luz que entrou na minha alma desde que o sol voltou a sorrir. Sou egoísta e insensível, e pior do que isto, integro-o como algo aceitável. Oxalá o mundo fosse um lugar mais simples. Podia clamar-se por justiça, como se de uma heroína se tratasse, para repor no coração de quem o merece o carinho que constantemente dá. Mas o mundo não é assim tão simples, nem eu, e por isso tenho medo. Medo do mundo, medo das coisas…no fundo, medo de mim.
09/09/06
algures entre Amarante e Penafiel
terça-feira, setembro 05, 2006
Só mais um post(e)

Enquanto deambulava ontem pelos Correios, não consegui deixar de reparar na vasta colecção de obras literárias que se acomodavam nas estantes. Livros de auto-ajuda, o livro de S. Cipriano em versão resumida, romances de trazer por casa… Dei por mim a pensar nessa coisa estranha que é a motivação pela escrita, ou os momentos de inspiração que a acompanham com indesmentível coerência. É coisa que nasce com a pessoa? É coisa inconstante, que aparece e desaparece sem aviso? Se nasce connosco porque vai embora de vez em quando? E se não é constante, então como sabemos quando a esperar? Enfim...
Vinha isto a propósito desta prolongada ausência de post(e)s. Tinha acabado, pela altura em questão, de cumprir a minha obrigação diária de fazer alguma coisa por mim próprio. Mais do que uma questão de auto-comiseração, faz-me dormir descansado. A sensação do dever cumprido ou a pequena ilusão de que uma simples carta poderá dar um novo rumo à nossa vida…
Adiante. Se há coisa que me acalma são as paisagens do campo da Belavista. Os calorosos cumprimentos do sr. António são já banalidade carinhosa, atestados de incompetência profissional é que não. Reajo firme e sigo em frente com vigor.
Segue-se uma “piscinada” relaxante (eu e os neologismos, que se há-de fazer…). Assim dá gosto misturar trabalho com lazer… De regresso a casa a confirmação de uma constatação há muito conhecida: o calor impede-me de funcionar correctamente. Devia ter nascido com uma etiqueta no pescoço, bem visível, que dissesse “manter a temperaturas abaixo dos 30º, em caso de avaria meter num avião e enviar para as Maldivas, mas com carinho”.
Chegas hoje. Não faz mal. No fundo no fundo, nunca de cá saíste.
PS.: Só mesmo para escrever mais um post(e).
Vinha isto a propósito desta prolongada ausência de post(e)s. Tinha acabado, pela altura em questão, de cumprir a minha obrigação diária de fazer alguma coisa por mim próprio. Mais do que uma questão de auto-comiseração, faz-me dormir descansado. A sensação do dever cumprido ou a pequena ilusão de que uma simples carta poderá dar um novo rumo à nossa vida…
Adiante. Se há coisa que me acalma são as paisagens do campo da Belavista. Os calorosos cumprimentos do sr. António são já banalidade carinhosa, atestados de incompetência profissional é que não. Reajo firme e sigo em frente com vigor.
Segue-se uma “piscinada” relaxante (eu e os neologismos, que se há-de fazer…). Assim dá gosto misturar trabalho com lazer… De regresso a casa a confirmação de uma constatação há muito conhecida: o calor impede-me de funcionar correctamente. Devia ter nascido com uma etiqueta no pescoço, bem visível, que dissesse “manter a temperaturas abaixo dos 30º, em caso de avaria meter num avião e enviar para as Maldivas, mas com carinho”.
Chegas hoje. Não faz mal. No fundo no fundo, nunca de cá saíste.
PS.: Só mesmo para escrever mais um post(e).
sexta-feira, agosto 11, 2006
O teu dia

Escrevo-te hoje porque é o teu dia.
Porque hoje mereces ser lembrada do quanto tens de bom, do quanto ofereces todos os dias a todos os que te rodeiam, do quanto melhoras este universo desde o dia em que nasceste.
Mas também…
Porque mais do que nunca há um sentimento especial que surge
Como a doçura das manhãs que nos abraçaram
Ou a brisa da enseada que nos afagou
O toque, a caminhada, o intimismo puro
Ou um simples pôr-do-sol por entre as montanhas
Só suplantado pelo meu melhor cenário…
Tu…
Parabéns :)
***
quinta-feira, agosto 03, 2006
Meus lindos olhos

Meus lindos olhos,
qual pequeno Deus
Pois são divinos,
de tão belos os teus.
Quem tos pintou,
com tal condão
Jamais neles sonhou
criar tanta imensidão.
De oiro celeste,
Filhos de uma chama agreste
Astros que o alto céu revestem
E onde a tua história é escrita.
Meus lindos olhos, de lua cheia
Um esquecido do outro,
a brilhar p’rá rua inteira.
Quem não conhece teu triste fado
Não desvenda em teu riso
um chorar tão magoado.
Perdões perdidos
Num murmúrio desolado
Quando o réu morava ao lado
Mais cruel não pode ser.
Este fado que aqui canto
Inspirou-se só em ti
Tu que nasces e renasces
Sempre que algo morre em ti
Quem me dera poder cantar
Horas, dias, tão sem fim
Quando pedes só para mim
Por favor só mais um fado.
Mafalda Arnauth
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