quinta-feira, junho 05, 2008

Contradições


É bom sentir por vezes, quando o sol se começa a pôr de mansinho, aquele suave toque dos pequenos raios que se esmurecem, por entre o desarmar surdo das pessoas em fim de jornada.

E é naquele silêncio de fim de tarde que me refugio para me encontrar com o pensamento. Gosto da plenitude desse vazio, sim, gosto de sentir que o todo se pode reduzir a um mero esfumar de sensações. Gosto, essencialmente, de naquele momento não ter que tomar decisões. Simplesmente assistir e entregar-me à paz daquele agradável calorzinho que surge antes do anoitecer.

E é, aliás, no preâmbulo deste momento que ouço palavras reconfortantes em relação ao futuro. Paradoxalmente entusiasmado, uma vez que estas até apontam naquele sentido comezinho da desgraça. Ora lá está, fazem-me sentir não ser o único a pensar que as coisas às vezes se tornam demasiado difíceis. Como o tinha pensado hoje de manhã. E ontem à noite. E na noite antes da de onteontem, enquanto observava as minhas emoções a desenvolver-se em algo fora do meu controlo.

O mais estranho, contudo, parece-me ser o não conseguir alcançar toda a razão do meu sofrimento. Não compreendo a natureza das coisas e isso mata-me, abate-me silenciosamente. Sinto-o como um mal inultrapassável. E no outro dia acordo como que absorto, pronto para lutar mais uma vez em busca de respostas impossíveis. Neste ciclo vicioso de um qualquer jogo de casino em que a única coisa que sobra são meia dúzia de dívidas.

Valham-me os pequenos prazeres do amor, das ilusões e daquelas pessoas que nos fazem querer viver até à exaustão. Tudo o resto são meras contradições.

quarta-feira, junho 04, 2008

Já cá canta a 20a!



In http://yadavezes3.blogspot.com/:

Após meses de negociações, o elenco de Os Simpsons chegou a acordo com a 20th Century Fox. As notícias diziam que a exigência dos actores de topo rondava os 500 mil dólares por episódio. Na última temporada, a 19ª, o vencimento era de 300 mil. Aritmética simples ditou que o acordo fosse atingido pela módica quantia de 400 mil. Do núcleo duro da série, apenas Harry Shearer (Mr. Burns, Smithers e Ned Flanders) não assinou ainda o contrato válido por quatro anos. No entanto, espera-se que tal aconteça nos próximos dias. Hoje, arranca a produção da vigésima temporada, onde estarão previstos 20 episódios, contrariamente aos habituais 22. Apesar deste contrato de quatro anos entre actores e estúdio, ainda não existe qualquer pedido para mais temporadas. O fantasma do cancelamento continua a pairar sobre o programa.

Espero que não passe mesmo do fantasma. Porque se há qualidade em televisão é isto.

domingo, junho 01, 2008

Tratado sobre o cinzento


Gostava de saber quais os requisitos a cumprir para se ser cinzento. Mas tenho a estranha impressão que já os preencho quase na totalidade. Cinzento é aquela cor indiferente, passiva, digamos que neutra, que não aquece nem arrefece, nem se chateia perante as vicissitudes do mundo. Não sendo capaz de colorir as telas que o rodeiam, limita-se a pintar aqueles dias de chuva miudinha que irritam as pessoas quando abrem as persianas de manhazinha. Não tendo a fogosidade do vermelho, ou a alegria do amarelo, ou mesmo a doce melancolia do azul, também não consegue deprimir como o negro ou aclarar como o branco. Mas sabemos que está lá para cumprir o seu papel, porque até os dias de chuva também precisam de ser coloridos.

O problema é que os dias de chuva não divertem. São necessários, por vezes reconfortantes, mas não arrastam contigo o sol e o calor que nos fazem sentir a vida com mais alegria. Apenas passam sem que se tornem memoraveis. Só mais uma pequena parte da rotina, um pequeno pedaço da nossa história que passa com indiferença. Sem entristecer ou alegrar, sem que seja desejável repetir.

Caraças, e eu que gostava tanto do azul...

or maybe I'm just feeling grey today...

quarta-feira, maio 28, 2008

E a parte fixe eheh

Porque até vem a propósito...

John Terry, himself:

«Tenho muita pena por ter falhado o penalty e por ter negado aos adeptos, aos meus colegas, família e amigos a possibilidade de serem campeões europeus. Muita gente já me disse que não tenho de me explicar, mas quero fazê-lo. Sinto que o devo. Revivi aquele momento todos os minutos desde que aconteceu. Só dormi umas horas e acordei várias vezes a pensar que tinha sido um pesadelo. Tenho sentido um apoio enorme dos adeptos, jogadores de agora e que já passaram pelo clube, e tenho de agradecê-lo. Mas sou adulto, e assumo a responsabilidade por não termos ganho».

«Essa noite vai perseguir-me para sempre. Sinto que desiludi toda a gente e isso magoa-me mais do que tudo. Não estou envergonhado pelo que chorei. Este é um troféu que tentei muito, ano após ano, conquistar. Ando com o coração nas mãos toda a gente sabe isso.»

quinta-feira, maio 22, 2008

O falhanço de Terry


Quando John Terry caminhou para a bola, colocada sobre a marca de grande penalidade, já em plena madrugada moscovita, no último penalty da série de cinco da sua equipa, deve ter pensado em tudo menos em falhar. Se há momento na vida de um futebolista em que não se pode falhar é aquele. São 150 milhões de pessoas de olho em ti, milhares de flashes, de corações prestes a explodir, apenas à espera daquele teu derradeiro gesto, daquele segundo de redenção que pode marcar toda uma vida. Quando Terry se aprestava a chutar deve ter pensado "esta não falho, de certeza." Mas falhou. Escorregou no momento do remate e a bola deslizou errantemente em direcção ao poste. Não foi um falhanço normal, o guarda redes já estava batido, a baliza semi deserta, a convicção do capitão do Chelsea que momentos depois iria agarrar a taça. Mas escorregou. Daqui a anos ninguém se lembrará que Anelka também falhou, mas sim do deslize de Terry quando todos os flashes estavam apontados para ele, que o pequeno dilúvio entretanto instalado no Luzhniki Stadium o fez perder o pé de apoio no momento mais decisivo na sua carreira...

Por isso o futebol consegue ser tão apaixonante... No fundo retrata todas as emoções da vida elevadas a um plano quase poético, pintado nas botas dos grandes artistas. Se formos a ver, a terrível frustação de Terry acabou por ser a salvação de Ronaldo, que esteve a um pequeno passo do pior dia da sua vida. Assim pode festejar, tudo se esquece. Menos o escorregão de John...

domingo, maio 18, 2008

O "engomador"



"The bottom line is this: the movie works. It works extremely well and it does so because of Downey." Widgett Walls

Ora nem mais...

terça-feira, maio 13, 2008

Rec e o(s) terror(es)


Para quem gosta de terror aconselho. Muito. Para quem não gosta, aconselho na mesma. Quanto mais não seja para ter um ou outro pesadelozito... Mas lá que o camandro do filme está bem feito está. É mais um do conceito "câmara na mão", passe a expressão, do estilo "Blairwitch Project", ou mais recentemente, de "Cloverfield", mas com um enredo de tom bem mais realista que nos consegue envolver sem grande esforço. Aliás, a verdadeira vantagem desta película está na sua capacidade de nos conseguir transportar para aquele mundo "gore" de forma tão subtil e coerente, que quando nos damos conta estamos lá, a sofrer tanto como quem transporta a câmara...E parabéns ao Fantas, por mais uma vez premiar uma obra de tão boa qualidade.

Agora deixem-me ir ali ver o Major Valentim a imitar o Ricardo Araujo Pereira que o home realmente tem piada.

terça-feira, abril 29, 2008

Ficou-me a frase: "Na altura vivi tempos felizes. Tomara eu que alguém me tivesse avisado..."

quarta-feira, abril 23, 2008

Ilusões


Há dias em que me ponho a pensar, sim, principalmente aqueles em que fico ao pé da janela, com a chuva a escorrer na vidraça, que a plenitude é uma miragem, e a ideia de que esta é atingível não passa de uma ilusão. Ora pois claro, daquelas criadas para nos dar ânimo para continuar a lutar por alguma coisa enquanto ela não acontece. E depois, quando as pequenas coisinhas, aquelas que nem sequer damos conta quando o sol sorri e o nosso clube ganhou, se começam a juntar num pequeno exército sedento de luta, quando o carro fica longe, o fim de semana parece não ter acontecido e indivíduos insuportáveis aparecem a saltar como cogumelos, é que nos apercebemos da nossa real dimensão, do real espaço que separa as nossas ambições das nossas limitações, ou apenas voltamos à realidade como quem atende o telefone. Isto claro, só até amanhã, porque o sol felizmente vai voltar a sorrir e o carro até já ficou lá em frente, nem que seja em cima da passadeira. Pois, já sei, a minha vida é uma ilusão. Não há crise, a dos outros também :)

segunda-feira, abril 21, 2008

Dan In Real Life...or even better than that


Já agora aproveitava para recomendar uma comédia romântica. Sim, e para meter aqui um poster de cinema, que por sinal até é bem original. Vale a pena por Steve Carell, por Juliette Binoche, por aquele destilar perfeitamente organizado de emoções que nos envolve, e que mesmo não sendo uma daquelas originalidades, cai muito bem numa tarde chuvosa. Ou como alguém me diria, propícia ao verdadeiro namoro :)

São lindas são...

A arte e subtileza deste video faz de qualquer comentário da minha parte um mero e dispensável acessório...

sexta-feira, abril 11, 2008

O regresso do que nunca foi

Vá lá que hoje me deu a maluqueira e decidi vir cá consultar o estado do meu pequeno estaminé. Sim, este cantinho que hoje em dia ninguém se dá ao luxo de dispensar num universo cada vez mais indispensável como a internet. Ou como dizia lá o velhote no barbeiro, "essa coisa da internet que anda a dar cabo das crianças", ou qualquer coisa parecida com isso, que na altura estava mais preocupado em perceber como é que o Rangers tinha espetado dois secos em Alvalade.

No fundo o que mais me preocupa não tem nada a ver com a expansão do universo web, mas sim com a mentalidade dos que acabam, de formas mais ou menos inadvertidas, de lá ir parar com as suas ideias comezinhas. O recente caso do "dá-me o telemóvel já", com excelente trabalho de câmara daquele jovem cineasta (transfiram-no para uma escola de Hollywood,pah!), constitui prova viva de que, nas mãos erradas, a net pode ser um instrumento perigoso, especialmente quando agredimos a nossa professora de francês. Não é que, na situação em questão, até tenha sido útil, pelo menos pararam aquelas greves e manifestaçoes irritantes e centrou-se a discussão, finalmente, num tema que já importava discutir há muito tempo atrás.

Mas adiante, que o tema poderia facilmente deslizar para a excessiva importância dos media na nossa sociedade e isso daria certamente pano para umas mangas muito compridas. E para além do mais, o real objetivo deste post passa por comprovar a minha teoria de que o que realmente leva as pessoas a irem aos blogues tem mais a ver com os videos e as piadas vivas do nosso quotidiano, do que com grandes filosofias metafóricas. Daí que passe a apresentar, por ordem, duas situaçoes caricatas do meu dia de hoje (não me peçam coisas antigas que tenho memória de peixe) e um video, seleccionado aleatoriamente nesse pequeno e modesto site que é o youtube, supostamente de cariz cómico.

Aqui vai, portanto, a minha primeira situaçao cómica: ai não sei quê estava a ouvir um programa de informaçao desportiva na rádio, que diz que o Jorge Costa não sei quantos e tal, olho pelo retrovisor e quem está num Smart a dar o pisca atrás de mim, quem? Não, era mesmo o Jorge Costa. Não digo onde foi porque podia comprometer o homem, né...

A segunda situação cómica chama-se sr António e é o roupeiro do SC Rio de Moinhos. Este sr não precisa de grandes comentários, precisava era de videos que pudessem mostrar toda a sua valia e talento, e que pudessem já agora, também aligeirar os insultos que provavelmente vocês estarão a dirigir a mim por não apresentar prova do que estou a dizer.

Ah, e aqui vai o video, possivelmente numa posta à parte que eu ainda não domino esta coisa das transferências internacionais de videos, só mercado interno e mesmo assim com dificuldade. Um grande bem haja a vocês que leram esta coisa e podem voltar descansados ao google, desculpem lá o engano.



PS. Bem sei que o ideal seria juntar um video do youtube com o sr António, o Jorge e a malta toda do barbeiro em fraterno convívio, mas quem sabe isso não se arranjará...

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Até logo

Só para orientar os cerca de...vá lá, 0.87 cibernautas que recentemente visitaram este belo espaço, pelas razões de tamanha falta de actualização. Convenhamos, a vida nos últimos tempos tem seguido uma estradas a modos que com muita curva, de tal maneira que já me espetei duas ou três vezes e o carro tem ficado bastante amolgado, por falar nisso tenho que ir pagar esta bela conta do mecânico que me apareceu em casa...Bem, mas dizia eu que estes acidentes custam um bocado, têm-me arranhado as rótulas, de tal maneira que para além de passar bastante tempo a meter Betadine na pele, ainda tenho que me preocupar em levantar e dar umas passadas, senão o autocarro passa e nunca mais o apanho. No fundo dos fundos, e deixando a metáfora de lado por um bocadinho, a questão premente neste momento é, mudar de vida.

E convenhamos, apesar de haver temas em fartura (óscares, política, economia, futebol regional, receitas de culinária, o preço do petróleo ou tangerinas, por exemplo...), tenho mais que fazer do que escrever...

Como sei lá, tipo, arranjar uma vida...

Até lá, as minhas sinceras desculpas. Entretanto pode ser que arranje tempo para falar dos citrinos.

Até logo

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

One more day in this shit hole

Às vezes gostava de saber o que é uma decisão simples.

Poupo-me ao martírio de retrospectivar a minha vida ao sabor do arrependimento. Prefiro olhar em frente e antever aquele sucesso, que no fundo, já não sei distinguir da ilusão.

Só assim é possível enfrentar o dia-a-dia ao virar da esquina. Só assim é possível adormecer à noite. Só assim é possível superar a minha contínua frustração.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Lembrei-me de cá vir escrever, hoje


Hoje canso-me. De vícios, virtudes ou simplesmente caminhos. De estradas recalcadas e indicações vazias, indiferentes. Despreocupadas. Ou do futuro que não ousa sorrir. Um mero rascunho ou a omnipresença do erro? Ah como é bom ser optimista, ou anjinho, inocente, talvez sábio (?) e vicenciar todo este folclore de egos e humilhações intelectuais...

Demasiado complexo?

Não o sei de outra forma. Quero-me assim, a interrogar, a lutar, a viver dias maus, outros bons, outros nem por isso que não sei o que se passa comigo mas hei-de resolver, outros de reinvenções felizes ou meras desilusões problemáticas.

No fundo, habituo-me a tudo. Mas o que realmente quero é saber para onde vou.

terça-feira, outubro 16, 2007

Isso...

Saí a 120, fugi dos problemas, do stress, dos chatos, das doenças, das pessoas e suas taras, que o ego também sofre e as questões intricadas da vocação muito mais.

Mas não há problema, chego a casa, ligo a tv e descubro que sei mais do que um miúdo de 10 anos. Não há melhor serviço público...

sexta-feira, setembro 28, 2007

Desculpem, no fundo é isto...

"Escrever é uma percepção do espírito. É um trabalho ingrato que leva à solidão."

Blaise Cendrars

quarta-feira, setembro 05, 2007

Notas de Verão e isso


Vilarinho das Furnas: paisagens deslumbrantes, tranquilidade, cataratas, alvoradas e alguns animais, entre eles um tipo de bigode numa espécie de casa de pasto, que perante o esgotamento de mantimentos e neurónios, mais não sabe do que exclamar “tivessem vindo mais cedo!”

S Pedro de Moel: praia, fotos, caracóis, panikes ao pequeno-almoço, rir, rissóis gigantes, rir, mais fotos, mais rir, amigos (dos bons) e tu…ou apenas e só…aquela genuína sensação de felicidade…

NovaFisio: o estrito cumprimento do dever que se elevou a algo mais do que isso…ou o ponto de partida para a racionalidade das vocações.

Mr. Brooks: thriller sóbrio e consistente, de personagens complexas e um alter-ego sublime, inteligente e bem humorado, que para além de relevar William Hurt, faz também renascer Kevin Costner como actor de qualidade comprovada. Pena o final. Ah, e atenção à pequena de “Shark”, Danielle Panabaker.

Night: devo estar a ficar velho (aka mania da intelectualidade), agora prefiro um bar tranquilo e dois dedos de conversa a discos apinhadas de hormonas e respectivos acompanhantes.

FCP: cada vez mais monótono, independentemente da qualidade dos subordinados continua a ganhar, o que quanto a mim, mais do que a própria questão do mérito é mais uma questão de simples organização.

Rio de Moinhos: 2-0, o resultado do fim-de-semana, no jogo e no posto médico.

Red Bull Air Race: porreiro, muito porreiro. Tanto mais quando estava à sombrinha, confortável e sem 599 998 indivíduos desconhecidos a pisarem-me os calcanhares.

Escrever: confesso o meu mais recente receio (sem contar com aquele de que um dia vá no metro e o pessoal me espanque porque tenho cara de marroquino), a falta de motivação para a arte do escrevinhanço. Alguns dizem que é uma questão de inspiração. Outros que é de talento. Eu já não arrisco. Não sei bem se será alguma das duas, ou nenhuma, ou apenas uma situação de circunstância, fruto das preocupações de rotina ou outras que me surripiam o neurónio. E é justamente isso que me preocupa, não conseguir pensar em duas coisas ao mesmo tempo.

domingo, setembro 02, 2007

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Só para dizer que estou de volta ao estaminé. E claro, que estive lá, pois então. Afinal, quem é que não esteve?