segunda-feira, maio 08, 2006

As fitas...

Houve um dia alguém que eu vi encontrar umas fitas perdidas de um universo qualquer que não o seu, de outro alguém disperso algures na multidão de negro. Houve um alguém que não descansou enquanto as fitas não encontravam o seu pequeno universo, mesmo que estivesse longe, mesmo que fosse quase impossível de encontrar, mesmo que o assunto para qualquer outra alma (menor) fosse insignificante. Houve um alguém que não se esqueceu de procurar esse universo, que no fundo era também o seu próprio universo, porque tinha uma alma tão grande, que abraçava este universo e o outro, e o outro, e todos os demais…que enquanto todos os caminhos não estivessem certos, em qualquer universo, não conseguia estar feliz, porque nesse universo haveria alguém infeliz…

Parabéns. Porque são estas pequenas coisas que nos tornam especiais :)

Ser poeta...

Ora andava cá eu atarefado com não sei quê quando deparo de frente com esta pequena preciosidade, o bonito poema dos tempos do 8.º ano, dos tempos em que a vida era mais simples, dos tempos dos quadros de mérito, dos tempos em que a poesia surgia insegura por entre os TPC e os Dragon Ball… Deliciem-se. Ou satirizem, gozem, plagiem, mas estejam à vontade.


Ser poeta é…
Ser diferente.
É sonhar sem fronteiras,
Saltar muros de imaginação,
Atravessar mundos sem gente.

Ser poeta é…
Passar além do imaginário,
Como se o real não existisse.
É carregar emoção em cada palavra,
Soltar lágrimas quando conversa
Como se de outro mundo viesse.

Ser poeta, essencialmente,
É ser humano,
Porque todo o humano é poético.
É ser veemente
Para com todas as palavras que existem
Sem erros, pontuação ou ortografia,
Pois tudo isso não existe
No mundo fantástico da poesia…

sábado, abril 15, 2006

Em Avanca...


Em Avanca, terra do nobel Egas Moniz, os velhinhos andam de bicicleta e as cegonhas fazem ninhos nas torres do estádio. Em Avanca fazem-se chocolates e as pessoas têm sotaque, mostrando-o sem vergonha enquanto distribuem sandes pelas mãos dos miúdos. E eu, lá no meu canto, deixei-me ser miúdo por dois dias, aceitei de bom grado as sandes e joguei à bola no sintético com o entusiasmo de quem o fazia pela primeira vez. Antigamente achava difícil entrar neste pequeno mundo, onde alegria e imaginação parecem intermináveis, quase ridículas. Agora só penso que o único ridículo era eu.

Hoje aproveitei para reflectir. Nas prioridades. Nas viagens. Nos afagos ao ego. Na vontade de estar mas não poder. No que o dia ganha em começar mais cedo, naquilo que perde por não começar mais tarde. Na medalha que insisti em trazer de Avanca como pequeno troféu. Na mania incompreensível das arrumações de Páscoa (não seria melhor começarmos a chamar-lhe Dia Anual do Tenho-que-deixar-tudo-limpo-senão-o-sr-padre-diz-mal-de-mim-na-missa??). Nos golos que marquei na quinta por respirar energia. Nos golos que falhei hoje por estar cansado. Nas prioridades…

No final, só um registo, daquilo que de melhor, nestes dois dias, consegui ter, pensar, oferecer…

“Imagino por vezes que viver no céu seja isto, nas asas de uma qualquer andorinha perdida, elegante, livre em toda a sua plenitude…e que em qualquer dia de nuvens negras, vagueando ao sabor do vento, saiba encontrar no escuro uma aberta, e assim iluminar a alma…tu és isso, a minha luz…”

quinta-feira, abril 13, 2006

A minha vida é um sundae de chocolate


À parte outros pensamentos envolvendo sitcoms e demais alegorias, por momentos, durante um destes dias de felicidade constante, dei por mim a pensar...a minha vida é como um sundae de chocolate... Veja-se a consistência do gelado, o toque cortante do chocolate, a doce mistura de sabores que tu me ensinaste (e continuamente me ensinas...), o finalzinho derretido no fundo do copo, a pequena colher que carinhosamente recolhes e fazes parecer dádiva divina... Não será isto mais do que crónica breve da nossa realidade? Do que sinto, do que me fazes sentir?
Ou talvez apenas mais um capítulo, desta história que teima em ser cor-de-rosa, cor do céu, cor da lua, cor das flores que registamos e passamos para a tua tela, cor do que mais belo se possa imaginar (como tu...), por entre sitcoms, desenhos animados, fotografias com estilo ou simples corridas de miúdos pelas escadas...tu sabxxx...e eu tb :)

domingo, abril 09, 2006

Há coisas que não se explicam...


Há coisas que não se explicam, sentem-se… Existem melodias que bem mais do que a junção de notas, são puros hinos de harmonia e de paz, alquimias suaves neste jogo de colisões… Jogos, emoções, vitória, emoção, o stress, sim esse que abomino, a agitação, a alegria entrecortada na profusão de sentimentos, a cabeça aí, contigo, num qualquer lugar que não aqui, uma lua que insiste em ser crescente, nova, cheia, tudo e mais alguma coisa que o sonho outrora não atingia, porque o via distante, tão distantemente que a esperança não era mais do que vã… pensar na sorte, sim a sorte, essa que julgava distraída, que vejo presente, não, não fugaz, quero que fiques assim, ao meu lado, em cenários suaves, loucos, estendidos pelo toque que nos une e trazem, em momentos póstumos, consigo a saudade… O momento que gravamos, aquilo que insistimos em tornar perene, em qualquer suporte técnico, na imaginação, na mente sagaz, ávida, tanto para dar… Há sintonia, sim, mais do que nunca, sempre que tudo, tudo o justifica, a vontade de fazer mais, de voar, fazer com que o mundo gire com velocidade nunca antes vista, mas suave, tão suave que nos faça eternos…pelo menos enquanto o luar esteja por agora mais azulado…

sábado, abril 08, 2006

Bonança...


Começava em tempestade…mas acabou em bonança. Vai ser difícil esquecer descrição tão singela. Quanto mais porque a bonança se eleva para muito mais do que uma simples vingança de mau tempo apagado, mas sim toda uma vida para além do palpável, ou simplesmente a crónica de felicidade impensável. É bom sentir a areia por baixo dos pés como se o mar fosse caminho sem destino, abraçar o vento, sim o vento de olhares gritantes e gestos fulgurantes, correr sem rumo, ou apenas ser, mas contigo…porque assim as coisas fazem mais sentido…porque as cores não esbotam...porque a bola ultrapassa a rede...porque assim o mundo, finalmente, se torna completo…
"A felicidade solitária não é felicidade..."
Boris Pasternak

sábado, março 25, 2006

Oportunidades...


Se a felicidade falasse, haveria de ter agora finalmente a sua oportunidade…As palavras, percebia agora, eram estranhas companheiras no negro, mas distantes na luz, mas isso não importava. Importava o sentimento…e a lua…

sábado, março 18, 2006

A chuva...


Olhou a chuva. Havia qualquer coisa de belo que afeiçoava, um bucolismo desconcertante que valia a pena explorar. Parecia novo, o momento, a brincadeira, a alegria, a saudade… Uma frase, um riso, um rio, um sentimento que destoa, um acreditar, a clareza de espírito e não só… Uma aura que se estende pelo amanhã, o sorriso ao nascer do dia e aquele pequeno sentimento de felicidade… Que se estende? Não… Há frases que tolhem. Que chateiam, qual infeliz lembrete da realidade. Tal como andar à chuva…

domingo, março 05, 2006

The "desafiate"

Cada blogger nomeado tem de enumerar cinco manias suas, hábitos pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de tornar público o conhecimento dessas particularidades, terão de nomear cinco outros bloggers para participarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs, aviso do "recrutamento". Além disso cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog.

Ora bem, lá terá de ser...

1o. durmo com a cabeça sempre debaixo do cobertor
2o. gosto de lamber o cremezinho do café
3o. conduzo sempre com uma mão na alavanca das velocidades
4o. arrumo os feijões para o lado em todos os pratos excepto feijoada (dahhh...)
5o. sou um compulsivo consumidor de chocolate e seus derivados

Pronto, gozem para aí agora...

sábado, fevereiro 25, 2006

O sonho...


Acordou zangado. Os raios de sol que irrompiam pela janela aqueciam a cara, mas não a alma. A noite, demasiado longa, apagara aquele assalto de inegável felicidade como se de uma tempestade em dia de Verão se tratasse. Pensava em como a beleza alheia podia ser estranhamente incómoda, não pelo seu significado em si, mas sim pelo peso que acarretava. Sentia que a desigualdade seria sempre um fardo com o qual teria de lidar, o quão pequenino se parecia sentir perante tamanhas demonstrações de excelência e graciosidade. Adormecera cor-de-rosa, mas acordara cinzento. Os acessos de realismo exacerbado tinham este condão, o de cortar sem piedade aqueles pequenos momentos de plenitude, de harmonia, de felicidade…ou talvez ilusão… Sentia-se impotente. Incapaz de chegar ao topo, mais uma vez. Convencera-se a si próprio por momentos que saíra da mediocridade e conquistara a dignidade de igualar em estatuto a beleza, mas em vão. Era linda...ou apenas sonho?

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

A intempérie


Puxou o gorro um pouco mais para baixo e enfrentou de frente a intempérie. Lembrou-se que há muito que não sentia um frio assim, embora a questão pouco o incomodasse. Durante a noite sonhara em abundância, mas só os pesadelos vinham à memória. Haviam-lhe roubado o carro, mas recuperara-o, bem como todo o resto da sua dignidade no momento em que abrira, a custo, os olhos. Sentia-se preguiçoso, mas isso já não era novidade. Desde há uns dias que o pacifismo havia ido, e o retorno à languidez e à reflexão funcionavam como que uma couraça que não permitia a estranhos irromper no seu pequeno mundo. Pensava em como estes dias, felizmente pouco frequentes, podiam alterar a imagem de simpatia e sociabilidade que procurava cultivar, mas na realidade deixara de se ralar, a partir do momento em que havia aceite por fim a sua individualidade. Preocupava-se com os outros, era um facto, mas só aqueles que realmente importavam valiam uma mudança de comportamento, uma cara alegre em dia de tempestade. Afinal vivia rodeado de rejeições, e a ingratidão era defeito que desprezava. Finalmente chegou. Tirou o gorro mas não o semblante carregado. O sorriso teria mesmo que esperar…

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Thanks!

Um obrigado especial aos verdadeiros amigos e miguinhas por se terem lembrado do dia dos namorados. Não, e não falo propriamente do S. Valentim. Vocês sabem....

Prazeres...


A auto-estrada estava calma, como era normal àquela hora. Entregou-se ao mais puro prazer da condução. Acordara com predisposição para aceitar o mundo, isso era evidente, daí que tudo o resto não importasse, mesmo que noutras ocasiões o mesmo se mostrasse incómodo. Nem a voz monocórdica de Abrunhosa na telefonia chateava, muito menos o cromo do camionista que seguia a velocidade pedonal. Tudo se mostrava demasiado pacífico. Estranhamente hoje não cantarolava, só um tímido balbuciar quando a viagem se aprestava ao seu término. Era um dia anormal, por isso o punha a pensar. Haveriam assim tantas razões para o equilíbrio? Era óbvio que não. Mas mais do que isso, ele finalmente aceitara-o. Integrara-o de tal maneira que dispensava parte da realidade para prosseguir o seu caminho. Havia finalmente uma forma de ultrapassar o obstáculo, que não necessariamente transpô-lo, talvez contorná-lo, que havia descoberto e que parecia resultar…

Seria possível confundir sentimentos? Havia esse risco, era inevitável, mas a alternativa de passar ao lado, ignorando toda e qualquer possibilidade de realização do sonho, mostrava-se claramente nefasta e prontamente rejeitada pela frieza que o pautava. Parou por momentos e repreendeu-se a si próprio por ser tão calculista. Era um defeito óbvio que não conseguia corrigir e isso irritava-o, mas moderadamente. Esta discreta falha da sua personalidade tinha a vantagem de esclarecer o raciocínio em situações de stress, auxiliando aquela que já era uma crónica incapacidade de decisão. Nem sempre pesar os prós e contras seria o melhor método, bem o sabia, muito menos quando estavam em causa sentimentos, mas era o melhor que conseguia fazer. Escolhia as suas opções em função da racionalidade, ignorando a (pouca) inteligência emocional que possuía, e os resultados estavam à vista. Quando tudo, tudo na sua vida se parecia basear neles, ou na sua falta… Acendeu a televisão. Estava na hora de voltar à sua realidade favorita.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Thoughts...


Perdido por momentos por entre o sol de Inverno, sentiu fugazmente o sabor da felicidade. Sabia que algo estava incompleto, como se de um puzzle em montagem se tratasse, mas a agradável subtileza com que as outras peças por ora se encaixavam mascarava a perda, permitindo a ilusão satisfatória da plenitude. Há consciências verdadeiramente chatas, de permanente sobreaviso e realismo incómodo, da qual ele sabia ser impossível conseguir fugir. Era tão apenas e só uma questão de tempo. Mas enquanto durasse, o momento dever-se-ia eternizar, aproveitar, engrandecer até ao tutano, de modo que a vida, por entre os seus meandros de causas perdidas, tivesse enfim uma pausa que merecesse ser contemplada.

A importância desmedida das grandes coisas tinha este tipo de consequência, que insistia em ignorar o valor das mais pequenas. Ele sabia que o sonho, ou seu parente próximo, não passava disso mesmo, de um sonho. Não ousava trazê-lo para o plano da realidade, porque os efeitos, a existirem, seriam demasiado maus para que ele pudesse vir a aceitá-los sem se culpar a si próprio por não ter pensado em alternativas. Preferia deitar-se e simplesmente deixar a alma voar, pensar em como seria bom se um dia se concretizasse, sustendo na mente aquela imagem que o aconchegava, do que simplesmente divulgar o segredo, transformá-lo em problema e estragar o que por agora tinha sido atingido. Era demasiado bucólico, ele sabia-o, mas continuava a querer dar valor às pequenas coisas, que o faziam todos os dias um bocadinho mais feliz, em vez de uma realidade cinzentona e agreste, que no fundo, acreditava não merecer. Talvez se enganasse a si próprio, mas que importa, se nunca tivesse dependido dele a opção?...

sábado, janeiro 21, 2006


Só para dizer
que te amo,
nem sempre encontro
o melhor termo,
nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
a lingua inglesa
fica sempre bem
e nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo
está tão perto do meu,
e o que digo está tão longe
como o mar esta do céu.

Só para dizer que te amo,
não sei porquê este embaraço,
que mais parece que só te estimo,
e até um momento em que digo
que não quero e o que sinto por ti
sao coisas confusas.
E até parece que estou a mentir
As palavras custam a sair
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrario do que estou a sentir

O teu Mundo
está tão perto do meu,
e o que digo está tao longe
como o mar esta do céu
E é tão dificil, dizer amor,
é bem melhor dizê-lo a cantar.

Por isso esta noite
fiz esta canção
para resolver o meu problema de expressao.

Pra ficar mais perto
Bem mais perto
Fica mais perto
Bem mais perto

Clã - Só para dizer

domingo, janeiro 01, 2006

2005 ou o ataque de um realismo inconsequente


Uma revista do ano?? Terminei o curso, arranjei emprego, o Benfica foi campeão. É no mínimo surpreendente que após 5 minutos de azáfama cerebral me não consiga recordar de algo mais relevante. Estarei a ficar demasiado cinzento ou terão os golos de Mantorras simplesmente bloqueado as minhas sinapses? É por estas que dou valor à procissão de hippies que recentemente invadiu Gaia para a passagem de ano. Pelo menos esses dirão: “2005?? Trabalhei 3 meses, visitei Amsterdão (pela 18.ª vez), Bruxelas e Praga, comprei uma VW de 87 e passei o ano em Portugal com os amigos, conhecidos, uma simpática apresentadora de TV e aquela coisa que comprei em Amsterdão e que me forçará a trabalhar mais 3 meses em 2006 para que possa ir lá pela 19.ª vez…”

Esperemos que 2006 seja bom. Ou pelo menos com mais e melhores momentos passíveis de recordação em 2007. E para que assim na próxima passagem de ano quando me disserem “que o próximo ano seja melhor que este!” eu possa responder não “também acho” mas sim “impossível…”

Momento do dia: o esquilo do Ice Age. Oxalá todas as personagens de comédia do cinema contemporâneo tivessem um terço do talento daquele bicho.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira

quarta-feira, novembro 30, 2005

Falemos de gripe das aves, da dona Jaquina, da VCI em hora de ponta ou das contradições de Shakespeare...May I?


Deixemo-nos de filosofias ou divagações baratas. Importa talvez agora desviar as atenções para coisas mais simples, mais quotidianas, capazes de dar descanso ao belo do neurónio, que para problemas já ele tem que chegue quanto mais não seja com a gripe das aves. Faz sentido? Claro que sim. Discutam-se então as opções do primeiro-ministro, o porquê das ultrapassagens pela direita na auto-estrada, a mediocridade de pensamento da vizinha, o 4-3-3 demasiado afunilado do Rio de Moinhos ou o pretenso penalty sobre o Carlitos em Barcelos. Escolha difícil, hein?

Precisamos de uma boa intriga, nem que seja acerca do Zé que já não quer casar com a Jaquina ou do chefe lá do emprego que anda metido com a secretária faz um mês. Mesmo no nosso grupo de amigos, se a conversa parece mais morta que uma cerveja nas mãos de um rabi, não há melhor desbloqueador que aprofundar porque nos levantamos da mesa na semana passada quando o colega de turma x da namorada y se sentou ao lado dela sem ter direito a lambada no focinho ou no mínimo a repreensão oral da sua parte. Logo se descobre que x já teve paixão por y, que y confessou a z (sendo z a verdadeira amiga do casal, a tal que diz as verdades na cara, mesmo que a cara não lhe ligue patavina) que o x até era interessante, e que eu, namorado de y, no meio desta equação toda era igual a zero por não levar y a jantar fora há mais de uma semana e meia (sublinhe-se a importância do meia). Claro está que no final z conversou comigo, y confessa que fez cena de ciúmes com x para provocar 0, o que no final = jantar em restaurante indiano – muitos euros na carteira + com um bocadinho de sorte uma noite de sexo calorosa. Naturalmente que falamos em termos hipotéticos. Nem eu seria alguma vez igual a zero, muito menos escolheria restaurantes indianos para ir comer com uma letra do alfabeto. Quanto mais ia à pizza hut.

Agora mais a sério, ouvia eu há uns dias atrás, enquanto degustava cada momento do caos que apanhei na VCI em hora de ponta, um interessantíssimo anúncio na rádio em que um sujeito qualquer intercedia com sensatez o belo ícone do nosso imaginário colectivo que é esse tipo de tanga chamado tarzan: “olha tarzan, olha um elefante no alto da colina!” E pronto, volta e meia mete-se uma carrinha de trolhas à minha frente na bicha… O que daria certamente para mais uma divagação sobre a importância do civismo e da boa conduta na nossa sociedade, o número assustador de acidentes nas estradas portuguesas, a morte de neurónios causada pelas pás de trolha, etc, etc…Mas não vale a pena ir por aí. Moral da história: nunca percam tempo a tentar decifrar piadas inteligentes, quando menos se aperceberem, já houve algum esperto que se antecipou.

Ah, só para acabar, a sério que gosto de Shakespeare. Tenho o moço em boa conta. Agora só não percebo como é que o mesmo tipo que num ápice, em nome do amor, manda Romeu e Julieta desta para melhor, me vem dizer depois que o mesmo amor “cura todas as feridas”. Se essa é a solução, mais vale “a gente suicidarmo-nos uns aos outros”, tal como diria Elsa Raposo. Ou então não nos “aleijarmos”…

Portem-se bem (sim, vocês, fieis visitantes deste blog, o dois ucranianos que mantenho fechados na minha cave mais a miúda cujo computador recentemente piratiei)…

terça-feira, novembro 22, 2005

Um rumo...


Quis o mundo que os nossos caminhos divergissem sob o signo sempre decidido do destino. Não pensei sequer em lutar. Olha-se para a frente com a frontalidade que se nos assume em clarão de efémera coragem e reza-se para se esquecer o arrependimento. E depois é o acreditar em melhores desígnios, num coração forte e numa alma que não chore com lágrimas grossas um passado que nunca o chegou a ser realmente. Lugares ainda não percorridos, sensações não vividas, metas não atingidas. Enganar com peneira uma alma pobre de afectos e jurar que o passado não pode ser mais sombra deslocada e incómoda. Assim o peito aberto permita enfrentar as amarras de uma rede que tolhe. Que os laivos de sensatez e lógica exacerbadas naufraguem de uma vez em mar profundo. Assim o barco deixe de ser apenas ilusório e cumpra finalmente sua rota. Talvez a jornada se conclua um dia. Não peço novos continentes, cabos dobrados ou tesouros escondidos. Apenas um rumo…

domingo, outubro 30, 2005

Onde se fala de filosofias, fragmentos, encenações, ou simplesmente da tua beleza...


Desatina-se com o sofrimento, escapam-se divagações, filosofias e outras tretas de somenos importância que o vento deixa levar sem queixa alguma. Acorda-se no outro dia pronto a travar novas batalhas. Há-de sempre ser assim, a inconstância, a instabilidade, a pequena loucura da montanha-russa de emoções que não passa do espelho de uma vida fragmentada. Contam-se os pedaços e retorna-se, lentamente, a remontar o puzzle, como se estas peças que parecem fáceis o fossem realmente. O caminho é longo, mas eternamente repetido. Esquecem-se as pessoas, porque a memória é curta, que foi só há dois dias que o travesseiro recolheu lágrimas e que o mundo parecia estar todo ao contrário. Sofre-se e alegra-se, ao mais típico gesto teatral. Pergunto-me a mim próprio se a vida não passará disso mesmo, uma eterna e rocambolesca encenação…

O coração esgota-se, esgota-se como o odor do teu cabelo e a brevidade dos teus gestos harmoniosos, cansa-se perante tamanhas demonstrações de graciosidade sem fins previstos pela ordem da lógica. Assim, belos em todo o seu esplendor… Sim, os teus olhos, a tua boca, a tua aura de ancestralidade que me faz pensar por vezes não conviver no planeta desses demais que nos circundam. Fujamos juntos para o céu e para as nuvens, tracemos um rumo diferente de tudo o que soa a ordem e atino. Serias capaz de mudar o mundo? Então e eu?