Caros amigos blogosféricos, e todos aqueles que se enganaram na página, assinala-se hoje com todo o propósito o primeiro aniversário do Lugar do Corgo. Sim, o blog, que a morada já cá está há alguns anitos (desculpem a piada fácil, está calor e não me apetece pensar muito). Isto seria por si só motivo para mais um post. Mas não. É também o celebrar de um bom hábito, o de escarrapachar para aqui o que vai na alma, comentar ou ser comentado, mas acima de tudo perceber que há por aí bons amigos...e muito mais que simples blogosféricos. Ah, e claro, significa também...que há iniciativas que vale a pena copiar...Obrigado.
O Lugar do Corgo podia ser mais um de tantos blogs...e é. Ou se calhar não, é pior. Sei lá, pode ser o que quiserem, who cares??
domingo, maio 28, 2006
quinta-feira, maio 25, 2006
Da Vinci Code, the movie

Com a devida autorização da respeitosa redacção do "Nós e o Mundo" (ou não), aqui fica a crónica do mais recente blockbuster do cinema mundial, o Código da Vinci...
Adaptação do "best-seller" de Dan Brown (40 milhões de livros vendidos!), totalmente envolto em mistério - só foi visto pela primeira vez no Festival de Cannes, na véspera da estreia mundial -, "O Código da Vinci" já começou a incendiar multidões e a polémica está instalada.
O famoso simbologista Robert Langdon (Tom Hanks) está em Paris para fazer uma palestra quando é chamado ao museu do Louvre onde o curador foi assassinado, deixando junto de si um misterioso rasto de símbolos e pistas.
Colocando em risco a sua própria sobrevivência, Langdon, ajudado pela criptologista da polícia francesa Sophie Neveu (Audrey Tautou), põe a descoberto uma série de pistas inscritas nas obras de Leonardo Da Vinci, que o pintor engenhosamente disfarçou e que conduzem à descoberta de um mistério religioso, protegido por uma sociedade secreta durante mais de dois mil anos, mistério esse que abalará os pilares do Cristianismo.
Construída sobre esta linha, a narrativa desdobra-se entre a acção das aventuras de Langdon e Neveu e as teorias históricas acerca de temas como os Cavaleiros da Ordem dos Templários, o Santo Graal, o Priorado do Sião, a Opus Dei ou a suposta relação de Cristo com Maria Madalena, que tanto interesse e polémica causaram nos últimos anos.
A linguagem “cinematográfica” com que havia sido escrita a obra, fazia já adivinhar o aparecimento de um filme com orçamento milionário, e a Sony Pictures não fez por menos, contratando os serviços do oscarizado realizador Ron Howard (“Mente Brilhante”, “Apollo 13”), bem como do conceituado Tom Hanks (“Terminal”, “O Náufrago”) para protagonista, a par de Audrey Tautou (“O Fabuloso destino de Amélie”) ou Jean Reno (“Godzilla”, “Os Anjos do Apocalipse”), ambos certezas do cinema francês.
A complexidade da narrativa deixa a ideia de seria muito difícil, senão impossível, transpor todo o conteúdo do romance para duas horas e meia de película, mas mesmo assim, o filme deixa-nos boas sequências de acção e momentos interessantes. No entanto, a crítica não recebeu com grande entusiasmo a falta de criatividade de Howard, apelidando a adaptação de neutra e académica, e as personagens de corpos e presenças que só servem para desbobinar a intriga. Sobra-nos a sobriedade de Hanks e confirmação do talento de Tautou, bem como de Paul Bettany, o secundário que interpreta o monge albino Silas, porventura a personagem mais desconcertante do filme.
O famoso simbologista Robert Langdon (Tom Hanks) está em Paris para fazer uma palestra quando é chamado ao museu do Louvre onde o curador foi assassinado, deixando junto de si um misterioso rasto de símbolos e pistas.
Colocando em risco a sua própria sobrevivência, Langdon, ajudado pela criptologista da polícia francesa Sophie Neveu (Audrey Tautou), põe a descoberto uma série de pistas inscritas nas obras de Leonardo Da Vinci, que o pintor engenhosamente disfarçou e que conduzem à descoberta de um mistério religioso, protegido por uma sociedade secreta durante mais de dois mil anos, mistério esse que abalará os pilares do Cristianismo.
Construída sobre esta linha, a narrativa desdobra-se entre a acção das aventuras de Langdon e Neveu e as teorias históricas acerca de temas como os Cavaleiros da Ordem dos Templários, o Santo Graal, o Priorado do Sião, a Opus Dei ou a suposta relação de Cristo com Maria Madalena, que tanto interesse e polémica causaram nos últimos anos.
A linguagem “cinematográfica” com que havia sido escrita a obra, fazia já adivinhar o aparecimento de um filme com orçamento milionário, e a Sony Pictures não fez por menos, contratando os serviços do oscarizado realizador Ron Howard (“Mente Brilhante”, “Apollo 13”), bem como do conceituado Tom Hanks (“Terminal”, “O Náufrago”) para protagonista, a par de Audrey Tautou (“O Fabuloso destino de Amélie”) ou Jean Reno (“Godzilla”, “Os Anjos do Apocalipse”), ambos certezas do cinema francês.
A complexidade da narrativa deixa a ideia de seria muito difícil, senão impossível, transpor todo o conteúdo do romance para duas horas e meia de película, mas mesmo assim, o filme deixa-nos boas sequências de acção e momentos interessantes. No entanto, a crítica não recebeu com grande entusiasmo a falta de criatividade de Howard, apelidando a adaptação de neutra e académica, e as personagens de corpos e presenças que só servem para desbobinar a intriga. Sobra-nos a sobriedade de Hanks e confirmação do talento de Tautou, bem como de Paul Bettany, o secundário que interpreta o monge albino Silas, porventura a personagem mais desconcertante do filme.
Convém realçar que eu fiz parte das 40 milhões de almas que contribuiu para engordar mais um pouco a humilde conta bancária de Dan Brown. Fica-me por isso a ideia geral de que o filme, apesar de jeitosinho e de alguns momentos de bom nível, fica muito a dever ao livro. Seria pois então interessante para mim ouvir a opinião de alguém que tivesse hibernado nos últimos anos a ponto de ter conseguido escapar à febre "davinciana" (ou isso ou que tivesse mais que fazer), mas que por agora se tivesse deixado levar pelo entusiasmo e compenetrado numa qualquer sala de cinema para ver Hanks e companhia.
Perdoem-me agora pela momentânea loucura cinéfila, mas tenho de fazer isto...
Classificação: 6 ****** (numa escala de 0 a 10)
Desculpem lá, sempre sonhei fazer isto. A seguir é na Premiere :P
sábado, maio 20, 2006
Moon angel...

Sentou-se e deleitou-se ao som da voz de Anna Nalick. Havia serenidade… Haviam pessoas deambulando em seus pesarosos passeios de início de tarde. Havia paz… Longe os tumultos da noite passada, longe o desespero da menina epiléptica, a surdez do simpático velhinho da camisola azul escura, a arrogância do oftalmologista, longe a espera de horas e horas e uma paciência levada ao limite. Havia agora sim este mundo, esta pessoa, este destino, esta lua… Tudo o resto é nada…
Havia uma magia espalhada pelo teu sorriso de menina, uma aura de harmonia ditada pelas notas da tua música, uma forma de viajar só ao alcance dos céus onde habitas…porque sim…
Reconheço um anjo não pelas asas que ostenta, mas sim pela forma como consegue voar…
Havia uma magia espalhada pelo teu sorriso de menina, uma aura de harmonia ditada pelas notas da tua música, uma forma de viajar só ao alcance dos céus onde habitas…porque sim…
Reconheço um anjo não pelas asas que ostenta, mas sim pela forma como consegue voar…
segunda-feira, maio 08, 2006
As fitas...
Houve um dia alguém que eu vi encontrar umas fitas perdidas de um universo qualquer que não o seu, de outro alguém disperso algures na multidão de negro. Houve um alguém que não descansou enquanto as fitas não encontravam o seu pequeno universo, mesmo que estivesse longe, mesmo que fosse quase impossível de encontrar, mesmo que o assunto para qualquer outra alma (menor) fosse insignificante. Houve um alguém que não se esqueceu de procurar esse universo, que no fundo era também o seu próprio universo, porque tinha uma alma tão grande, que abraçava este universo e o outro, e o outro, e todos os demais…que enquanto todos os caminhos não estivessem certos, em qualquer universo, não conseguia estar feliz, porque nesse universo haveria alguém infeliz…
Parabéns. Porque são estas pequenas coisas que nos tornam especiais :)
Parabéns. Porque são estas pequenas coisas que nos tornam especiais :)
Ser poeta...
Ora andava cá eu atarefado com não sei quê quando deparo de frente com esta pequena preciosidade, o bonito poema dos tempos do 8.º ano, dos tempos em que a vida era mais simples, dos tempos dos quadros de mérito, dos tempos em que a poesia surgia insegura por entre os TPC e os Dragon Ball… Deliciem-se. Ou satirizem, gozem, plagiem, mas estejam à vontade.
Ser poeta é…
Ser diferente.
É sonhar sem fronteiras,
Saltar muros de imaginação,
Atravessar mundos sem gente.
Ser poeta é…
Passar além do imaginário,
Como se o real não existisse.
É carregar emoção em cada palavra,
Soltar lágrimas quando conversa
Como se de outro mundo viesse.
Ser poeta, essencialmente,
É ser humano,
Porque todo o humano é poético.
É ser veemente
Para com todas as palavras que existem
Sem erros, pontuação ou ortografia,
Pois tudo isso não existe
No mundo fantástico da poesia…
Ser poeta é…
Ser diferente.
É sonhar sem fronteiras,
Saltar muros de imaginação,
Atravessar mundos sem gente.
Ser poeta é…
Passar além do imaginário,
Como se o real não existisse.
É carregar emoção em cada palavra,
Soltar lágrimas quando conversa
Como se de outro mundo viesse.
Ser poeta, essencialmente,
É ser humano,
Porque todo o humano é poético.
É ser veemente
Para com todas as palavras que existem
Sem erros, pontuação ou ortografia,
Pois tudo isso não existe
No mundo fantástico da poesia…
sábado, abril 15, 2006
Em Avanca...

Em Avanca, terra do nobel Egas Moniz, os velhinhos andam de bicicleta e as cegonhas fazem ninhos nas torres do estádio. Em Avanca fazem-se chocolates e as pessoas têm sotaque, mostrando-o sem vergonha enquanto distribuem sandes pelas mãos dos miúdos. E eu, lá no meu canto, deixei-me ser miúdo por dois dias, aceitei de bom grado as sandes e joguei à bola no sintético com o entusiasmo de quem o fazia pela primeira vez. Antigamente achava difícil entrar neste pequeno mundo, onde alegria e imaginação parecem intermináveis, quase ridículas. Agora só penso que o único ridículo era eu.
Hoje aproveitei para reflectir. Nas prioridades. Nas viagens. Nos afagos ao ego. Na vontade de estar mas não poder. No que o dia ganha em começar mais cedo, naquilo que perde por não começar mais tarde. Na medalha que insisti em trazer de Avanca como pequeno troféu. Na mania incompreensível das arrumações de Páscoa (não seria melhor começarmos a chamar-lhe Dia Anual do Tenho-que-deixar-tudo-limpo-senão-o-sr-padre-diz-mal-de-mim-na-missa??). Nos golos que marquei na quinta por respirar energia. Nos golos que falhei hoje por estar cansado. Nas prioridades…
No final, só um registo, daquilo que de melhor, nestes dois dias, consegui ter, pensar, oferecer…
“Imagino por vezes que viver no céu seja isto, nas asas de uma qualquer andorinha perdida, elegante, livre em toda a sua plenitude…e que em qualquer dia de nuvens negras, vagueando ao sabor do vento, saiba encontrar no escuro uma aberta, e assim iluminar a alma…tu és isso, a minha luz…”
Hoje aproveitei para reflectir. Nas prioridades. Nas viagens. Nos afagos ao ego. Na vontade de estar mas não poder. No que o dia ganha em começar mais cedo, naquilo que perde por não começar mais tarde. Na medalha que insisti em trazer de Avanca como pequeno troféu. Na mania incompreensível das arrumações de Páscoa (não seria melhor começarmos a chamar-lhe Dia Anual do Tenho-que-deixar-tudo-limpo-senão-o-sr-padre-diz-mal-de-mim-na-missa??). Nos golos que marquei na quinta por respirar energia. Nos golos que falhei hoje por estar cansado. Nas prioridades…
No final, só um registo, daquilo que de melhor, nestes dois dias, consegui ter, pensar, oferecer…
“Imagino por vezes que viver no céu seja isto, nas asas de uma qualquer andorinha perdida, elegante, livre em toda a sua plenitude…e que em qualquer dia de nuvens negras, vagueando ao sabor do vento, saiba encontrar no escuro uma aberta, e assim iluminar a alma…tu és isso, a minha luz…”
quinta-feira, abril 13, 2006
A minha vida é um sundae de chocolate

À parte outros pensamentos envolvendo sitcoms e demais alegorias, por momentos, durante um destes dias de felicidade constante, dei por mim a pensar...a minha vida é como um sundae de chocolate... Veja-se a consistência do gelado, o toque cortante do chocolate, a doce mistura de sabores que tu me ensinaste (e continuamente me ensinas...), o finalzinho derretido no fundo do copo, a pequena colher que carinhosamente recolhes e fazes parecer dádiva divina... Não será isto mais do que crónica breve da nossa realidade? Do que sinto, do que me fazes sentir?
Ou talvez apenas mais um capítulo, desta história que teima em ser cor-de-rosa, cor do céu, cor da lua, cor das flores que registamos e passamos para a tua tela, cor do que mais belo se possa imaginar (como tu...), por entre sitcoms, desenhos animados, fotografias com estilo ou simples corridas de miúdos pelas escadas...tu sabxxx...e eu tb :)
domingo, abril 09, 2006
Há coisas que não se explicam...

Há coisas que não se explicam, sentem-se… Existem melodias que bem mais do que a junção de notas, são puros hinos de harmonia e de paz, alquimias suaves neste jogo de colisões… Jogos, emoções, vitória, emoção, o stress, sim esse que abomino, a agitação, a alegria entrecortada na profusão de sentimentos, a cabeça aí, contigo, num qualquer lugar que não aqui, uma lua que insiste em ser crescente, nova, cheia, tudo e mais alguma coisa que o sonho outrora não atingia, porque o via distante, tão distantemente que a esperança não era mais do que vã… pensar na sorte, sim a sorte, essa que julgava distraída, que vejo presente, não, não fugaz, quero que fiques assim, ao meu lado, em cenários suaves, loucos, estendidos pelo toque que nos une e trazem, em momentos póstumos, consigo a saudade… O momento que gravamos, aquilo que insistimos em tornar perene, em qualquer suporte técnico, na imaginação, na mente sagaz, ávida, tanto para dar… Há sintonia, sim, mais do que nunca, sempre que tudo, tudo o justifica, a vontade de fazer mais, de voar, fazer com que o mundo gire com velocidade nunca antes vista, mas suave, tão suave que nos faça eternos…pelo menos enquanto o luar esteja por agora mais azulado…
sábado, abril 08, 2006
Bonança...

Começava em tempestade…mas acabou em bonança. Vai ser difícil esquecer descrição tão singela. Quanto mais porque a bonança se eleva para muito mais do que uma simples vingança de mau tempo apagado, mas sim toda uma vida para além do palpável, ou simplesmente a crónica de felicidade impensável. É bom sentir a areia por baixo dos pés como se o mar fosse caminho sem destino, abraçar o vento, sim o vento de olhares gritantes e gestos fulgurantes, correr sem rumo, ou apenas ser, mas contigo…porque assim as coisas fazem mais sentido…porque as cores não esbotam...porque a bola ultrapassa a rede...porque assim o mundo, finalmente, se torna completo…
"A felicidade solitária não é felicidade..."
Boris Pasternak
sábado, março 25, 2006
Oportunidades...
sábado, março 18, 2006
A chuva...

Olhou a chuva. Havia qualquer coisa de belo que afeiçoava, um bucolismo desconcertante que valia a pena explorar. Parecia novo, o momento, a brincadeira, a alegria, a saudade… Uma frase, um riso, um rio, um sentimento que destoa, um acreditar, a clareza de espírito e não só… Uma aura que se estende pelo amanhã, o sorriso ao nascer do dia e aquele pequeno sentimento de felicidade… Que se estende? Não… Há frases que tolhem. Que chateiam, qual infeliz lembrete da realidade. Tal como andar à chuva…
domingo, março 05, 2006
The "desafiate"
Cada blogger nomeado tem de enumerar cinco manias suas, hábitos pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de tornar público o conhecimento dessas particularidades, terão de nomear cinco outros bloggers para participarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs, aviso do "recrutamento". Além disso cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog.
Ora bem, lá terá de ser...
1o. durmo com a cabeça sempre debaixo do cobertor
2o. gosto de lamber o cremezinho do café
3o. conduzo sempre com uma mão na alavanca das velocidades
4o. arrumo os feijões para o lado em todos os pratos excepto feijoada (dahhh...)
5o. sou um compulsivo consumidor de chocolate e seus derivados
Pronto, gozem para aí agora...
sábado, fevereiro 25, 2006
O sonho...

Acordou zangado. Os raios de sol que irrompiam pela janela aqueciam a cara, mas não a alma. A noite, demasiado longa, apagara aquele assalto de inegável felicidade como se de uma tempestade em dia de Verão se tratasse. Pensava em como a beleza alheia podia ser estranhamente incómoda, não pelo seu significado em si, mas sim pelo peso que acarretava. Sentia que a desigualdade seria sempre um fardo com o qual teria de lidar, o quão pequenino se parecia sentir perante tamanhas demonstrações de excelência e graciosidade. Adormecera cor-de-rosa, mas acordara cinzento. Os acessos de realismo exacerbado tinham este condão, o de cortar sem piedade aqueles pequenos momentos de plenitude, de harmonia, de felicidade…ou talvez ilusão… Sentia-se impotente. Incapaz de chegar ao topo, mais uma vez. Convencera-se a si próprio por momentos que saíra da mediocridade e conquistara a dignidade de igualar em estatuto a beleza, mas em vão. Era linda...ou apenas sonho?
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
A intempérie

Puxou o gorro um pouco mais para baixo e enfrentou de frente a intempérie. Lembrou-se que há muito que não sentia um frio assim, embora a questão pouco o incomodasse. Durante a noite sonhara em abundância, mas só os pesadelos vinham à memória. Haviam-lhe roubado o carro, mas recuperara-o, bem como todo o resto da sua dignidade no momento em que abrira, a custo, os olhos. Sentia-se preguiçoso, mas isso já não era novidade. Desde há uns dias que o pacifismo havia ido, e o retorno à languidez e à reflexão funcionavam como que uma couraça que não permitia a estranhos irromper no seu pequeno mundo. Pensava em como estes dias, felizmente pouco frequentes, podiam alterar a imagem de simpatia e sociabilidade que procurava cultivar, mas na realidade deixara de se ralar, a partir do momento em que havia aceite por fim a sua individualidade. Preocupava-se com os outros, era um facto, mas só aqueles que realmente importavam valiam uma mudança de comportamento, uma cara alegre em dia de tempestade. Afinal vivia rodeado de rejeições, e a ingratidão era defeito que desprezava. Finalmente chegou. Tirou o gorro mas não o semblante carregado. O sorriso teria mesmo que esperar…
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Thanks!
Um obrigado especial aos verdadeiros amigos e miguinhas por se terem lembrado do dia dos namorados. Não, e não falo propriamente do S. Valentim. Vocês sabem....
Prazeres...

A auto-estrada estava calma, como era normal àquela hora. Entregou-se ao mais puro prazer da condução. Acordara com predisposição para aceitar o mundo, isso era evidente, daí que tudo o resto não importasse, mesmo que noutras ocasiões o mesmo se mostrasse incómodo. Nem a voz monocórdica de Abrunhosa na telefonia chateava, muito menos o cromo do camionista que seguia a velocidade pedonal. Tudo se mostrava demasiado pacífico. Estranhamente hoje não cantarolava, só um tímido balbuciar quando a viagem se aprestava ao seu término. Era um dia anormal, por isso o punha a pensar. Haveriam assim tantas razões para o equilíbrio? Era óbvio que não. Mas mais do que isso, ele finalmente aceitara-o. Integrara-o de tal maneira que dispensava parte da realidade para prosseguir o seu caminho. Havia finalmente uma forma de ultrapassar o obstáculo, que não necessariamente transpô-lo, talvez contorná-lo, que havia descoberto e que parecia resultar…
Seria possível confundir sentimentos? Havia esse risco, era inevitável, mas a alternativa de passar ao lado, ignorando toda e qualquer possibilidade de realização do sonho, mostrava-se claramente nefasta e prontamente rejeitada pela frieza que o pautava. Parou por momentos e repreendeu-se a si próprio por ser tão calculista. Era um defeito óbvio que não conseguia corrigir e isso irritava-o, mas moderadamente. Esta discreta falha da sua personalidade tinha a vantagem de esclarecer o raciocínio em situações de stress, auxiliando aquela que já era uma crónica incapacidade de decisão. Nem sempre pesar os prós e contras seria o melhor método, bem o sabia, muito menos quando estavam em causa sentimentos, mas era o melhor que conseguia fazer. Escolhia as suas opções em função da racionalidade, ignorando a (pouca) inteligência emocional que possuía, e os resultados estavam à vista. Quando tudo, tudo na sua vida se parecia basear neles, ou na sua falta… Acendeu a televisão. Estava na hora de voltar à sua realidade favorita.
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Thoughts...

Perdido por momentos por entre o sol de Inverno, sentiu fugazmente o sabor da felicidade. Sabia que algo estava incompleto, como se de um puzzle em montagem se tratasse, mas a agradável subtileza com que as outras peças por ora se encaixavam mascarava a perda, permitindo a ilusão satisfatória da plenitude. Há consciências verdadeiramente chatas, de permanente sobreaviso e realismo incómodo, da qual ele sabia ser impossível conseguir fugir. Era tão apenas e só uma questão de tempo. Mas enquanto durasse, o momento dever-se-ia eternizar, aproveitar, engrandecer até ao tutano, de modo que a vida, por entre os seus meandros de causas perdidas, tivesse enfim uma pausa que merecesse ser contemplada.
A importância desmedida das grandes coisas tinha este tipo de consequência, que insistia em ignorar o valor das mais pequenas. Ele sabia que o sonho, ou seu parente próximo, não passava disso mesmo, de um sonho. Não ousava trazê-lo para o plano da realidade, porque os efeitos, a existirem, seriam demasiado maus para que ele pudesse vir a aceitá-los sem se culpar a si próprio por não ter pensado em alternativas. Preferia deitar-se e simplesmente deixar a alma voar, pensar em como seria bom se um dia se concretizasse, sustendo na mente aquela imagem que o aconchegava, do que simplesmente divulgar o segredo, transformá-lo em problema e estragar o que por agora tinha sido atingido. Era demasiado bucólico, ele sabia-o, mas continuava a querer dar valor às pequenas coisas, que o faziam todos os dias um bocadinho mais feliz, em vez de uma realidade cinzentona e agreste, que no fundo, acreditava não merecer. Talvez se enganasse a si próprio, mas que importa, se nunca tivesse dependido dele a opção?...
sábado, janeiro 21, 2006

Só para dizer
que te amo,
nem sempre encontro
o melhor termo,
nem sempre escolho o melhor modo.
Devia ser como no cinema,
a lingua inglesa
fica sempre bem
e nunca atraiçoa ninguém.
O teu mundo
está tão perto do meu,
e o que digo está tão longe
como o mar esta do céu.
Só para dizer que te amo,
não sei porquê este embaraço,
que mais parece que só te estimo,
e até um momento em que digo
que não quero e o que sinto por ti
sao coisas confusas.
E até parece que estou a mentir
As palavras custam a sair
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrario do que estou a sentir
O teu Mundo
está tão perto do meu,
e o que digo está tao longe
como o mar esta do céu
E é tão dificil, dizer amor,
é bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite
fiz esta canção
para resolver o meu problema de expressao.
Pra ficar mais perto
Bem mais perto
Fica mais perto
Bem mais perto
Clã - Só para dizer
domingo, janeiro 01, 2006
2005 ou o ataque de um realismo inconsequente

Uma revista do ano?? Terminei o curso, arranjei emprego, o Benfica foi campeão. É no mínimo surpreendente que após 5 minutos de azáfama cerebral me não consiga recordar de algo mais relevante. Estarei a ficar demasiado cinzento ou terão os golos de Mantorras simplesmente bloqueado as minhas sinapses? É por estas que dou valor à procissão de hippies que recentemente invadiu Gaia para a passagem de ano. Pelo menos esses dirão: “2005?? Trabalhei 3 meses, visitei Amsterdão (pela 18.ª vez), Bruxelas e Praga, comprei uma VW de 87 e passei o ano em Portugal com os amigos, conhecidos, uma simpática apresentadora de TV e aquela coisa que comprei em Amsterdão e que me forçará a trabalhar mais 3 meses em 2006 para que possa ir lá pela 19.ª vez…”
Esperemos que 2006 seja bom. Ou pelo menos com mais e melhores momentos passíveis de recordação em 2007. E para que assim na próxima passagem de ano quando me disserem “que o próximo ano seja melhor que este!” eu possa responder não “também acho” mas sim “impossível…”
Momento do dia: o esquilo do Ice Age. Oxalá todas as personagens de comédia do cinema contemporâneo tivessem um terço do talento daquele bicho.
quinta-feira, dezembro 15, 2005
E por vezes
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
Subscrever:
Mensagens (Atom)
