domingo, julho 13, 2008

Lars and the real girl




"Weird on paper, strangely and sweetly affecting onscreen. See it. You won't regret it."

quinta-feira, junho 05, 2008

Contradições


É bom sentir por vezes, quando o sol se começa a pôr de mansinho, aquele suave toque dos pequenos raios que se esmurecem, por entre o desarmar surdo das pessoas em fim de jornada.

E é naquele silêncio de fim de tarde que me refugio para me encontrar com o pensamento. Gosto da plenitude desse vazio, sim, gosto de sentir que o todo se pode reduzir a um mero esfumar de sensações. Gosto, essencialmente, de naquele momento não ter que tomar decisões. Simplesmente assistir e entregar-me à paz daquele agradável calorzinho que surge antes do anoitecer.

E é, aliás, no preâmbulo deste momento que ouço palavras reconfortantes em relação ao futuro. Paradoxalmente entusiasmado, uma vez que estas até apontam naquele sentido comezinho da desgraça. Ora lá está, fazem-me sentir não ser o único a pensar que as coisas às vezes se tornam demasiado difíceis. Como o tinha pensado hoje de manhã. E ontem à noite. E na noite antes da de onteontem, enquanto observava as minhas emoções a desenvolver-se em algo fora do meu controlo.

O mais estranho, contudo, parece-me ser o não conseguir alcançar toda a razão do meu sofrimento. Não compreendo a natureza das coisas e isso mata-me, abate-me silenciosamente. Sinto-o como um mal inultrapassável. E no outro dia acordo como que absorto, pronto para lutar mais uma vez em busca de respostas impossíveis. Neste ciclo vicioso de um qualquer jogo de casino em que a única coisa que sobra são meia dúzia de dívidas.

Valham-me os pequenos prazeres do amor, das ilusões e daquelas pessoas que nos fazem querer viver até à exaustão. Tudo o resto são meras contradições.

quarta-feira, junho 04, 2008

Já cá canta a 20a!



In http://yadavezes3.blogspot.com/:

Após meses de negociações, o elenco de Os Simpsons chegou a acordo com a 20th Century Fox. As notícias diziam que a exigência dos actores de topo rondava os 500 mil dólares por episódio. Na última temporada, a 19ª, o vencimento era de 300 mil. Aritmética simples ditou que o acordo fosse atingido pela módica quantia de 400 mil. Do núcleo duro da série, apenas Harry Shearer (Mr. Burns, Smithers e Ned Flanders) não assinou ainda o contrato válido por quatro anos. No entanto, espera-se que tal aconteça nos próximos dias. Hoje, arranca a produção da vigésima temporada, onde estarão previstos 20 episódios, contrariamente aos habituais 22. Apesar deste contrato de quatro anos entre actores e estúdio, ainda não existe qualquer pedido para mais temporadas. O fantasma do cancelamento continua a pairar sobre o programa.

Espero que não passe mesmo do fantasma. Porque se há qualidade em televisão é isto.

domingo, junho 01, 2008

Tratado sobre o cinzento


Gostava de saber quais os requisitos a cumprir para se ser cinzento. Mas tenho a estranha impressão que já os preencho quase na totalidade. Cinzento é aquela cor indiferente, passiva, digamos que neutra, que não aquece nem arrefece, nem se chateia perante as vicissitudes do mundo. Não sendo capaz de colorir as telas que o rodeiam, limita-se a pintar aqueles dias de chuva miudinha que irritam as pessoas quando abrem as persianas de manhazinha. Não tendo a fogosidade do vermelho, ou a alegria do amarelo, ou mesmo a doce melancolia do azul, também não consegue deprimir como o negro ou aclarar como o branco. Mas sabemos que está lá para cumprir o seu papel, porque até os dias de chuva também precisam de ser coloridos.

O problema é que os dias de chuva não divertem. São necessários, por vezes reconfortantes, mas não arrastam contigo o sol e o calor que nos fazem sentir a vida com mais alegria. Apenas passam sem que se tornem memoraveis. Só mais uma pequena parte da rotina, um pequeno pedaço da nossa história que passa com indiferença. Sem entristecer ou alegrar, sem que seja desejável repetir.

Caraças, e eu que gostava tanto do azul...

or maybe I'm just feeling grey today...

quarta-feira, maio 28, 2008

E a parte fixe eheh

Porque até vem a propósito...

John Terry, himself:

«Tenho muita pena por ter falhado o penalty e por ter negado aos adeptos, aos meus colegas, família e amigos a possibilidade de serem campeões europeus. Muita gente já me disse que não tenho de me explicar, mas quero fazê-lo. Sinto que o devo. Revivi aquele momento todos os minutos desde que aconteceu. Só dormi umas horas e acordei várias vezes a pensar que tinha sido um pesadelo. Tenho sentido um apoio enorme dos adeptos, jogadores de agora e que já passaram pelo clube, e tenho de agradecê-lo. Mas sou adulto, e assumo a responsabilidade por não termos ganho».

«Essa noite vai perseguir-me para sempre. Sinto que desiludi toda a gente e isso magoa-me mais do que tudo. Não estou envergonhado pelo que chorei. Este é um troféu que tentei muito, ano após ano, conquistar. Ando com o coração nas mãos toda a gente sabe isso.»

quinta-feira, maio 22, 2008

O falhanço de Terry


Quando John Terry caminhou para a bola, colocada sobre a marca de grande penalidade, já em plena madrugada moscovita, no último penalty da série de cinco da sua equipa, deve ter pensado em tudo menos em falhar. Se há momento na vida de um futebolista em que não se pode falhar é aquele. São 150 milhões de pessoas de olho em ti, milhares de flashes, de corações prestes a explodir, apenas à espera daquele teu derradeiro gesto, daquele segundo de redenção que pode marcar toda uma vida. Quando Terry se aprestava a chutar deve ter pensado "esta não falho, de certeza." Mas falhou. Escorregou no momento do remate e a bola deslizou errantemente em direcção ao poste. Não foi um falhanço normal, o guarda redes já estava batido, a baliza semi deserta, a convicção do capitão do Chelsea que momentos depois iria agarrar a taça. Mas escorregou. Daqui a anos ninguém se lembrará que Anelka também falhou, mas sim do deslize de Terry quando todos os flashes estavam apontados para ele, que o pequeno dilúvio entretanto instalado no Luzhniki Stadium o fez perder o pé de apoio no momento mais decisivo na sua carreira...

Por isso o futebol consegue ser tão apaixonante... No fundo retrata todas as emoções da vida elevadas a um plano quase poético, pintado nas botas dos grandes artistas. Se formos a ver, a terrível frustação de Terry acabou por ser a salvação de Ronaldo, que esteve a um pequeno passo do pior dia da sua vida. Assim pode festejar, tudo se esquece. Menos o escorregão de John...

domingo, maio 18, 2008

O "engomador"



"The bottom line is this: the movie works. It works extremely well and it does so because of Downey." Widgett Walls

Ora nem mais...

terça-feira, maio 13, 2008

Rec e o(s) terror(es)


Para quem gosta de terror aconselho. Muito. Para quem não gosta, aconselho na mesma. Quanto mais não seja para ter um ou outro pesadelozito... Mas lá que o camandro do filme está bem feito está. É mais um do conceito "câmara na mão", passe a expressão, do estilo "Blairwitch Project", ou mais recentemente, de "Cloverfield", mas com um enredo de tom bem mais realista que nos consegue envolver sem grande esforço. Aliás, a verdadeira vantagem desta película está na sua capacidade de nos conseguir transportar para aquele mundo "gore" de forma tão subtil e coerente, que quando nos damos conta estamos lá, a sofrer tanto como quem transporta a câmara...E parabéns ao Fantas, por mais uma vez premiar uma obra de tão boa qualidade.

Agora deixem-me ir ali ver o Major Valentim a imitar o Ricardo Araujo Pereira que o home realmente tem piada.

terça-feira, abril 29, 2008

Ficou-me a frase: "Na altura vivi tempos felizes. Tomara eu que alguém me tivesse avisado..."

quarta-feira, abril 23, 2008

Ilusões


Há dias em que me ponho a pensar, sim, principalmente aqueles em que fico ao pé da janela, com a chuva a escorrer na vidraça, que a plenitude é uma miragem, e a ideia de que esta é atingível não passa de uma ilusão. Ora pois claro, daquelas criadas para nos dar ânimo para continuar a lutar por alguma coisa enquanto ela não acontece. E depois, quando as pequenas coisinhas, aquelas que nem sequer damos conta quando o sol sorri e o nosso clube ganhou, se começam a juntar num pequeno exército sedento de luta, quando o carro fica longe, o fim de semana parece não ter acontecido e indivíduos insuportáveis aparecem a saltar como cogumelos, é que nos apercebemos da nossa real dimensão, do real espaço que separa as nossas ambições das nossas limitações, ou apenas voltamos à realidade como quem atende o telefone. Isto claro, só até amanhã, porque o sol felizmente vai voltar a sorrir e o carro até já ficou lá em frente, nem que seja em cima da passadeira. Pois, já sei, a minha vida é uma ilusão. Não há crise, a dos outros também :)

segunda-feira, abril 21, 2008

Dan In Real Life...or even better than that


Já agora aproveitava para recomendar uma comédia romântica. Sim, e para meter aqui um poster de cinema, que por sinal até é bem original. Vale a pena por Steve Carell, por Juliette Binoche, por aquele destilar perfeitamente organizado de emoções que nos envolve, e que mesmo não sendo uma daquelas originalidades, cai muito bem numa tarde chuvosa. Ou como alguém me diria, propícia ao verdadeiro namoro :)

São lindas são...

A arte e subtileza deste video faz de qualquer comentário da minha parte um mero e dispensável acessório...

sexta-feira, abril 11, 2008

O regresso do que nunca foi

Vá lá que hoje me deu a maluqueira e decidi vir cá consultar o estado do meu pequeno estaminé. Sim, este cantinho que hoje em dia ninguém se dá ao luxo de dispensar num universo cada vez mais indispensável como a internet. Ou como dizia lá o velhote no barbeiro, "essa coisa da internet que anda a dar cabo das crianças", ou qualquer coisa parecida com isso, que na altura estava mais preocupado em perceber como é que o Rangers tinha espetado dois secos em Alvalade.

No fundo o que mais me preocupa não tem nada a ver com a expansão do universo web, mas sim com a mentalidade dos que acabam, de formas mais ou menos inadvertidas, de lá ir parar com as suas ideias comezinhas. O recente caso do "dá-me o telemóvel já", com excelente trabalho de câmara daquele jovem cineasta (transfiram-no para uma escola de Hollywood,pah!), constitui prova viva de que, nas mãos erradas, a net pode ser um instrumento perigoso, especialmente quando agredimos a nossa professora de francês. Não é que, na situação em questão, até tenha sido útil, pelo menos pararam aquelas greves e manifestaçoes irritantes e centrou-se a discussão, finalmente, num tema que já importava discutir há muito tempo atrás.

Mas adiante, que o tema poderia facilmente deslizar para a excessiva importância dos media na nossa sociedade e isso daria certamente pano para umas mangas muito compridas. E para além do mais, o real objetivo deste post passa por comprovar a minha teoria de que o que realmente leva as pessoas a irem aos blogues tem mais a ver com os videos e as piadas vivas do nosso quotidiano, do que com grandes filosofias metafóricas. Daí que passe a apresentar, por ordem, duas situaçoes caricatas do meu dia de hoje (não me peçam coisas antigas que tenho memória de peixe) e um video, seleccionado aleatoriamente nesse pequeno e modesto site que é o youtube, supostamente de cariz cómico.

Aqui vai, portanto, a minha primeira situaçao cómica: ai não sei quê estava a ouvir um programa de informaçao desportiva na rádio, que diz que o Jorge Costa não sei quantos e tal, olho pelo retrovisor e quem está num Smart a dar o pisca atrás de mim, quem? Não, era mesmo o Jorge Costa. Não digo onde foi porque podia comprometer o homem, né...

A segunda situação cómica chama-se sr António e é o roupeiro do SC Rio de Moinhos. Este sr não precisa de grandes comentários, precisava era de videos que pudessem mostrar toda a sua valia e talento, e que pudessem já agora, também aligeirar os insultos que provavelmente vocês estarão a dirigir a mim por não apresentar prova do que estou a dizer.

Ah, e aqui vai o video, possivelmente numa posta à parte que eu ainda não domino esta coisa das transferências internacionais de videos, só mercado interno e mesmo assim com dificuldade. Um grande bem haja a vocês que leram esta coisa e podem voltar descansados ao google, desculpem lá o engano.



PS. Bem sei que o ideal seria juntar um video do youtube com o sr António, o Jorge e a malta toda do barbeiro em fraterno convívio, mas quem sabe isso não se arranjará...

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Até logo

Só para orientar os cerca de...vá lá, 0.87 cibernautas que recentemente visitaram este belo espaço, pelas razões de tamanha falta de actualização. Convenhamos, a vida nos últimos tempos tem seguido uma estradas a modos que com muita curva, de tal maneira que já me espetei duas ou três vezes e o carro tem ficado bastante amolgado, por falar nisso tenho que ir pagar esta bela conta do mecânico que me apareceu em casa...Bem, mas dizia eu que estes acidentes custam um bocado, têm-me arranhado as rótulas, de tal maneira que para além de passar bastante tempo a meter Betadine na pele, ainda tenho que me preocupar em levantar e dar umas passadas, senão o autocarro passa e nunca mais o apanho. No fundo dos fundos, e deixando a metáfora de lado por um bocadinho, a questão premente neste momento é, mudar de vida.

E convenhamos, apesar de haver temas em fartura (óscares, política, economia, futebol regional, receitas de culinária, o preço do petróleo ou tangerinas, por exemplo...), tenho mais que fazer do que escrever...

Como sei lá, tipo, arranjar uma vida...

Até lá, as minhas sinceras desculpas. Entretanto pode ser que arranje tempo para falar dos citrinos.

Até logo

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

One more day in this shit hole

Às vezes gostava de saber o que é uma decisão simples.

Poupo-me ao martírio de retrospectivar a minha vida ao sabor do arrependimento. Prefiro olhar em frente e antever aquele sucesso, que no fundo, já não sei distinguir da ilusão.

Só assim é possível enfrentar o dia-a-dia ao virar da esquina. Só assim é possível adormecer à noite. Só assim é possível superar a minha contínua frustração.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Lembrei-me de cá vir escrever, hoje


Hoje canso-me. De vícios, virtudes ou simplesmente caminhos. De estradas recalcadas e indicações vazias, indiferentes. Despreocupadas. Ou do futuro que não ousa sorrir. Um mero rascunho ou a omnipresença do erro? Ah como é bom ser optimista, ou anjinho, inocente, talvez sábio (?) e vicenciar todo este folclore de egos e humilhações intelectuais...

Demasiado complexo?

Não o sei de outra forma. Quero-me assim, a interrogar, a lutar, a viver dias maus, outros bons, outros nem por isso que não sei o que se passa comigo mas hei-de resolver, outros de reinvenções felizes ou meras desilusões problemáticas.

No fundo, habituo-me a tudo. Mas o que realmente quero é saber para onde vou.

terça-feira, outubro 16, 2007

Isso...

Saí a 120, fugi dos problemas, do stress, dos chatos, das doenças, das pessoas e suas taras, que o ego também sofre e as questões intricadas da vocação muito mais.

Mas não há problema, chego a casa, ligo a tv e descubro que sei mais do que um miúdo de 10 anos. Não há melhor serviço público...

sexta-feira, setembro 28, 2007

Desculpem, no fundo é isto...

"Escrever é uma percepção do espírito. É um trabalho ingrato que leva à solidão."

Blaise Cendrars

quarta-feira, setembro 05, 2007

Notas de Verão e isso


Vilarinho das Furnas: paisagens deslumbrantes, tranquilidade, cataratas, alvoradas e alguns animais, entre eles um tipo de bigode numa espécie de casa de pasto, que perante o esgotamento de mantimentos e neurónios, mais não sabe do que exclamar “tivessem vindo mais cedo!”

S Pedro de Moel: praia, fotos, caracóis, panikes ao pequeno-almoço, rir, rissóis gigantes, rir, mais fotos, mais rir, amigos (dos bons) e tu…ou apenas e só…aquela genuína sensação de felicidade…

NovaFisio: o estrito cumprimento do dever que se elevou a algo mais do que isso…ou o ponto de partida para a racionalidade das vocações.

Mr. Brooks: thriller sóbrio e consistente, de personagens complexas e um alter-ego sublime, inteligente e bem humorado, que para além de relevar William Hurt, faz também renascer Kevin Costner como actor de qualidade comprovada. Pena o final. Ah, e atenção à pequena de “Shark”, Danielle Panabaker.

Night: devo estar a ficar velho (aka mania da intelectualidade), agora prefiro um bar tranquilo e dois dedos de conversa a discos apinhadas de hormonas e respectivos acompanhantes.

FCP: cada vez mais monótono, independentemente da qualidade dos subordinados continua a ganhar, o que quanto a mim, mais do que a própria questão do mérito é mais uma questão de simples organização.

Rio de Moinhos: 2-0, o resultado do fim-de-semana, no jogo e no posto médico.

Red Bull Air Race: porreiro, muito porreiro. Tanto mais quando estava à sombrinha, confortável e sem 599 998 indivíduos desconhecidos a pisarem-me os calcanhares.

Escrever: confesso o meu mais recente receio (sem contar com aquele de que um dia vá no metro e o pessoal me espanque porque tenho cara de marroquino), a falta de motivação para a arte do escrevinhanço. Alguns dizem que é uma questão de inspiração. Outros que é de talento. Eu já não arrisco. Não sei bem se será alguma das duas, ou nenhuma, ou apenas uma situação de circunstância, fruto das preocupações de rotina ou outras que me surripiam o neurónio. E é justamente isso que me preocupa, não conseguir pensar em duas coisas ao mesmo tempo.

domingo, setembro 02, 2007

Back



Só para dizer que estou de volta ao estaminé. E claro, que estive lá, pois então. Afinal, quem é que não esteve?

segunda-feira, agosto 06, 2007

Curta

"A infelicidade tem a sua melhor definição na diferença entre as nossas capacidades e as nossas expectativas."

Edward Bono

quinta-feira, agosto 02, 2007

Ainda a propósito dos Simpsons...


"Ao longo de todas estas temporadas na televisão há momentos tão geniais, tão definitivos, que era impossível que alguém fosse ver The Simpsons Movie à espera de uma experiência transcendente, inovadora, arrebatadora, inesquecível. Eles já foram tudo isso, pá. E é por isso que contesto vigorosamente as pessoas que agora falam em "desilusão". Do que estavam à espera? Groening e a sua equipa já fizeram tudo (aliás, já fizeram mais do que tudo, se contarmos com o genial Futurama, série que levou o humor de cariz Simpsónico para os poucos lugares onde ele não tinha ido), pelo que The Simpsons Movie só podia ser aquilo que é: uma celebração aconchegante e mais comunitária de uma coisa importante e marcante das nossas vidas pop-culturais."

"No caso dos Simpsons, e depois de 17 anos no ar, eles já chegaram ao sublime há que tempos. E não seria um filme que iria trazer mais novidade, nem poderia ser essa a sua função: um filme dos Simpsons teria, acima de tudo, que ser bom. E é!"

"São 85 minutos compactos, vivendo de uma corrente contínua de piadas, conseguindo recriar, numa longa-metragem, o ritmo avassalador dos episódios televisivos. Quando termina - e, por favor, fiquem na sala até ao fim do genérico final! - ficamos com a sensação de que soube a pouco e que ainda lá podíamos ficar pelo menos mais uma meia-hora, à vontadinha."


by Nuno Markl, aqui

e...

"O filme pode ser entendido como um episódio maior da série? Pode. Os episódios dos Simpons são bons? São. Podemos então concluir que o filme é bom? Podemos. Mesmo para quem não está familiarizado com as vidas de Homer, Marge, Lisa, Bart e Maggie (onde é que eles estão, digam-me?), esta é a consideração que me apraz fazer."

"O filme não merece uma análise profunda, até porque não é isso que ele pede. Ao fim de dezoito anos, Matt Groening e companhia limitaram-se a dar-nos aquilo que esperávamos. Falo, obviamente, em nome daqueles que esperavam um bom filme – aqueles que esperavam uma obra-prima podem sempre adquirir a série 3 em Dvd e ver 4 a 5 episódios seguidos."

"Os Simpsons – O Filme é um excelente filme de animação, e um enorme divertimento. Antes de entrar na sala lembro-me de pensar para com os meus botões há quanto tempo é que não ia ao cinema ver um filme apenas para rir e passar um bom bocado. Quando sai da sala, pensei há quanto tempo é que não tinha entrado com esse objectivo e saído de lá com o resultado pretendido."


by Alvy Singer, aqui.


Deixo-vos a opinião dos "mestres" só e apenas porque não tenho andado com pachorra para escrever, e para além do mais, no que a matéria "simpsónica" diz respeito, podia ser suspeito... Já agora, também eu entrei na sala a pensar que ia passar um bom bocado e saí de lá com a sensação de que havia passado um bom bocado. E isso, meus amigos, nos dias que corre, é uma dádiva.

sexta-feira, julho 27, 2007

Finalmente, a obra-prima



Meus amigos, inimigos, conhecidos, desconhecidos e afins:

Todo e qualquer tipo de elogio que possam fazer acerca deste filme será pura e simplesmente insuficiente.

Pronto, agora cresçam e multipliquem-se por essas salas de cinema como se não houvesse amanhã. Springfield aguarda-vos com a classe que se lhe reconhece :)

quarta-feira, julho 25, 2007

segunda-feira, julho 23, 2007

Homer Erectus




Em grande a campanha publicitária dos britânicos. Podem ver mais aqui.

sábado, julho 21, 2007

Uma vénia aos srs, por favor



Para verem que ainda há quem confunda Springfield com a realidade... Ainda bem que não sou só eu :p

segunda-feira, julho 09, 2007

Olha que novidade...

You Are a Chocolate Chip Cookie

Traditional and conservative, most people find you comforting.
You're friendly and easy to get to know. This makes you very popular - without even trying!

quinta-feira, julho 05, 2007

Their war. Our world.



O meu último blockbuster...

Michael Bay é o "sr acção". Spielberg meteu o dedo, marca inexorável de qualidade. E o resultado foi bom, muito bom. Algo de simples, bons contra maus, emoção, espectacularidade (muita, excelente), beleza, humor...

Ou

o cinema no seu estado mais puro. Recomendo.

quarta-feira, julho 04, 2007

domingo, julho 01, 2007

"Eu não sei o que os meus pensamentos pensam"


Deixei-me por momentos descansar no escuro, sem pretensões de maior. Apenas sentir o silêncio, ou a (ilusão de) plenitude que o acompanha.
Não concluí. Será isto o "overthinking"? ou o "too much going on"? Ou apenas uma inabilidade de gestão sentimental?

O porquê nada importa.

A verdade como uma mordaça.

Ou caos da mente vs filosofia do objectivo

"Eu não sei o que os meus pensamentos pensam."

Francis Jammes

sexta-feira, junho 29, 2007

Congratulations

Uma vez um grande amigo disse-me

"Não se pode perder sempre..."

É muito bom ver que ele sempre teve razão...

ou simplesmente

Parabéns, "jurista" :)

Londres here I come! ou então Sebolido, Baixa da Banheira...

You Belong in London

A little old fashioned, and a little modern.
A little traditional, and a little bit punk rock.
A unique soul like you needs a city that offers everything.
No wonder you and London will get along so well.

sábado, junho 23, 2007

Sonhos & blocos de notas


Fechei os olhos e sorri baixinho. Era esta a sensação do triunfo no escuro, bem lá naquele cantinho onde os sonhos nos aparecem sem darmos conta.
Implicava tudo, mais alguma coisa que agora não me lembro. Não me importo de tal, só deixo os pensamentos fluirem por aquele espaço livre sem controlo aparente.

Não faz sentido. Não tem que o fazer. Nada que realmente importe faz sentido.

E nós preocupados, consumidos, envolvidos pelo medo.

Sem agir naquela livre vontade que constitui o âmago da nossa existência. Já parei para pensar. Já me consumi em consistência suficiente para não me emocionar tão facilmente.
Esculpi um pedra, sem o saber. Sem ter tal objectivo. E que continuo a desconhecer, bem lá no fundo.
Resta-me a órbita daqueles cometas que conhecemos mas que não ousamos conseguir acompanhar. A não ser com o olhar. Que ao encontrar aquele rasto verde se anima em esperanças pouco mais que vãs, numa qualquer ilha longínqua, à sombra de coqueiros e meia dúzia de sonhos. Ou simplesmente um sorriso.

Não fiz sentido. Não tenho q o fazer. E isso é simplesmente redentor.



PS.: obrigado pela dica do bloco de notas, amigo. Esta, mesmo sem o saberes, também é para ti.

domingo, junho 17, 2007

Just a thought...


Será a derradeira desilusão do ser humano conhecer-se inteiramente a si próprio?

quinta-feira, junho 14, 2007

Perfeição


Perfeição em cinema será qualquer coisa como isto...

domingo, junho 03, 2007

Simplicidades

"Vencer não é nada, se não se teve muito trabalho; fracassar não é nada se se fez o melhor possível."

Nadia Boulanger

segunda-feira, maio 14, 2007

Grandmother

Ainda há dias dizia que há realidades que nos ultrapassam. Daquelas que nos é impossível combater ou contrariar, que somente deixam escorrer as inevitabilidades do destino. Lidamos com elas, habituamo-nos a recebê-las e damos o nosso melhor em cada dia que passa em busca apenas de um sorriso que permita afagar a alma.

Se há coisa que aprendi foi mesmo o valor de um sorriso. Aquele que via todas as manhãs, todas as tardes, todas as noites antes de me deitar. Aquela gratidão da alma, genuína como só esta consegue ser, o pequeno gesto, o toque mais singelo quando tudo o resto parece falhar, como uma máquina que aos poucos se desliga sem pedir. Via coragem perante a adversidade, simpatia como último assomo de nobreza de uma vida que se fez grande. Mesmo perante o destino daquelas coisas feias que nos fazem encarar a morte como um mal menor. Mesmo perante aqueles que amamos e que pensáramos não ser possível deixar de nos amar. Mesmo perante as realidades que nos ultrapassam e a cruel impotência que as preenche.

Mas o olhar não mente. Também o aprendi. Quando deixaste de contemplar o mundo pela beleza que ostenta e começaste a senti-lo como derradeira morada. Quando te permitiste a ti própria um descanso do castigo que não merecias. Não te vou censurar…Muito menos por esta data… A coincidência como um logro. Apenas e só uma na sua mais pura plenitude. Admirar-te-ei, sempre…

“vou lá ter, vó…” Talvez um dia…Por agora o teu quarto…fica simplesmente vazio.

PS.: Uma palavra para os amigos: os melhores

quarta-feira, maio 09, 2007

Coisas e isso...


Nunca pensei muito na miserabilidade da vida. Obviamente, porque não a contemplo nem tenho tempo para admirar esse tipo de sofismas. A não ser quando o tempo pára. E apetece empurrá-lo para a frente, qual carrinho de supermecado, atolado de compras desnecessárias. Aqueles momentos da vida em que o nexo das coisas é tudo menos um dado adquirido. Quanto mais, sobra uma confusão de ideias e sentimentos, um monte de fios embrulhados difíceis de alinhar. Procura-se, no fundo, um destino que nos conforme. Porque, tal como há dias me dizia amigo próximo, há quem se contente apenas com um telemóvel novo e um círculo de amigos no tasco após o jantar. A busca pela simplicidade das coisas tem esse inegável preço que passa pela sua complicação, pelo menos para quem se ousa questionar, indagar, permitir a si próprio cinco tostões de reflexão e meio tostão de troco, conclusões baratas, inverosímeis, caminhos tortuosos e tentadores.

Bastaria porventura um chão firme que sustentasse o meu peso. O mesmo chão que em tempos ostentou sucesso. No fundo, uma amálgama de sonhos infundados, confesso, mas com coerência mínima para poder ser levada a sério.
Agora procura-se talento. Uma forma digna de retomar esse trilho de outrora. Torneando vícios entretanto criados, o amargo da desilusão, o peso do insucesso. Ou simplesmente o resultado da mudança, da fraca inteligência emocional, o que importa? Quantas vezes sorri para o céu em busca de redenção...

Afinal quem serei eu? É a pergunta pela qual me bato a cada dia que passa, cada vez mais convencido que nunca serei capaz de lhe responder. Talvez porque a inconveniência da resposta me assuste. Talvez porque tema, por vezes, descobrir. Talvez porque nessa busca incessante de horas e dias e acções e loucuras e simples gestos inocentes nos esqueçamos da nossa interacção com o mundo e tudo o que nos rodeia. Haverá acção mais egocentrista? Creio que não. Mas o defeito da coisa não esconde a sua suprema necessidade. Ironicamente para melhorar a nossa predisposição para o mundo, e consequentemente, a nossa relação com os outros. Ou simplesmente porque antes de conhecer bem os outros tens forçosamente que te conhecer a ti próprio...

Já lá vão seis queimas. Recordo todas, desde o maço de tabaco da Vera até aos videos marados dos quatro fantásticos e as repas gigantes. Desde as bebedeiras e as ressacas na Constituição, às bengaladas do 4.o ano, passando pelas futeboladas e francesinhas do Requinte, cada vez mais uma tradição. Recordo com orgulho e aquela noçãozinha nostálgica de que cada coisa tem mesmo o seu tempo. Porque as coisas só começam realmente a ter piada, tal como diz o Dani, quando o nevoeiro se levanta. E então aí entramos num mundo à parte dos demais. Um mundo que o meu mundo já não contempla. Nem tem, obviamente, que contemplar...


"A vida é a arte de tirar conclusões suficientes a partir de premissas insuficientes."

Samuel Butler

domingo, abril 22, 2007

A coisa mais interessante acerca das coisas que nos rodeiam é perceber que por vezes elas nos ultrapassam. Sem um domínio que se invente.

Apetece espairecer.

Apenas e só deixar correr o mundo como aquele rio que desconheces. Conhecer-te a ti próprio, sim, aos teus mistérios e contradições, e deixar o teu universo fluir por caminhos e ondas nunca antes traçados. Gritar aos sete ventos a tua real identidade, e sentir a brisa bater na cara, a areia queimar nos pés, as palavras ecoarem sem sentido. Apenas abraçar a luz e caminhar com ela, beijar as montanhas e a lua e o sol, o breu que se lhe segue com propósito inusitado, mas viver a plenitude das coisas…com o doce sabor do seu âmago…e a plena (in)consciência…

Que sempre nos ultrapassa…

sexta-feira, abril 06, 2007

Descobertas e coisas

Tem sido tempo de profícuas descobertas e isso. Eis alguns exemplos:
- Descobri que o soro posto a correr mais rapidamente provoca esperneios e alucinações, para além de induzir más influências sobre o velhote/paciente da cadeira ao lado.

- Descobri que o boletim agrário ainda dá bem de manhãzinha, com aquela música de genérico que tão suavemente cai no ouvido e nos deixa atordoados para o resto do dia. Só um programa desta envergadura me permitiu saber que a cabra montesa do nordeste tem as tetas pontiagudas, e o que seria de mim sem essa preciosa informação.

- Descobri também que só se pode saber que ainda dá o boletim agrário as sete da matina através de duas formas: ou por manifesta insuficiência de magnésio no sangue (que entre outras coisas poderá conduzir a extremos actos de loucura como acordar as 7 da manhã para ver televisão) ou por espera desagradável numa sala de espera das urgências, com tv sintonizada na rtp1. Decidi optar pela segunda via.
- Descobri que quando for grande quero ser espartano.

- Descobri o que é ser gozado por termos um manco na nossa equipa, ou melhor, como um benfiquista nos tempos em que Beto era titular. Confesso que desde os tempos de Krajl que já não me lembrava dessa bonita sensação. Agora que temos um primo do Escobar na equipa, provavelmente enviado para cá com 3kg de coca nos intestinos, que é um prazer levar com as piadas sobre “o Renteria joga muito bem”, “o Renteria tem grande talento”, etc etc… Bastava alguém explicar ao rapaz que já devia ter mandado aquela treta cá para fora senão vai continuar a tropeçar na bola.

- Descobri que aqueles placards luminosos todos jeitosos das conservatórias de registo civil e que indicam o nro que vai ser atendido funcionam como decoração e não como instrumento. Ficam mesmo bem ali ao lado dos vasos e dos funcionários com cara de esteios.

- Descobri também que os putos são potencialmente mais perigosos junto de telemóveis luminosos. Aonde? Em conservatórias de registo civil.

- Descobri que o Sócrates não tem nenhum curso superior e chegou a primeiro-ministro. Isso quer dizer que com a minha licenciatura já posso aspirar pelo menos a secretário da assembleia-geral da junta de freguesia.
- Descobri que ser tuga é muito fixe. Naaa, estava a brincar...

- Descobri que na Páscoa as pessoas limpam as casas e isso.

- Descobri que as gastroenterites doem um bocado. Mas que depois passam.

- Descobri que ter moral é muito, mas não tudo.

quarta-feira, março 14, 2007

Para quem me quiser voltar a aturar a falar sobre cinema...


Em "About Schmidt" ressalta desde logo, sempre, em constância supreendente, o talento inato de Jack Nicholson, com subtileza, com excessos, com expressividade ou indiferença, enfim, tudo naquela justa medida que o torna, quanto a mim, um dos melhores actores de sempre. Ou então, como dizia um amigo meu, este homem mesmo que o queira não sabe ser um mau actor...
De resto, um filme interessante, de digestão fácil e momentos de fina comédia, contando com um argumento sólido e aquela mestria que só este senhor nos pode trazer.


Em "Children of Men", por outro lado, ressalvei o trabalho de câmara e a fotografia daquela Londres futurista, negra e profundamente desesperante face aos sentimentos que despertam na humanidade em 2027. Alfonso Cuaron, o realizador, foi curiosamente o produtor de "El Labirinto del Fauno", e pertence à recente armada mexicana que invadiu a edição deste ano dos Óscares. Neste contexto, a Academia também nomeou esta fita para três categorias, fotografia, edição e argumento adaptado. Há história, há reflexão, um Michael Caine em bom estilo e um Clive Owen convincente. Ao contrário do desenlace, infelizmente... De qualquer forma, temos qualidade e pelo menos duas soberbas cenas de acção que vale a pena reter...

terça-feira, março 06, 2007

SNS parte II


Terça-feira de manhã, ligo para o hospital, na esperança de falar com o gastroenterologista que acompanha o processo da minha avó…

“- Hospital!” (mas que bela maneira de atender...)

“- Estou sim, bom dia, estou a ligar por causa da minha avó, ela fez uma gastrostomia há cerca de 2 meses aí no hospital e agora parece ter havido uma complicação, gostaria de saber se é possível falar com o médico que a acompanhou…”

(interrupção brusca)

“- Só um momento, vou passá-lo para alguém das urgências…”

(ouve-se música irritante)

“- Estou sim, serviço de urgência.”

“- Bom dia, é o seguinte, a minha avó teve um problema com a gastrostomia que realizou há pouco tempo, eu gostaria de falar com o gastroenterologista…”

(nova interrupção, esta menos brusca um bocado…)

“- Peço imensa desculpa, a minha colega enganou-se a transferir a chamada, vou passá-lo para o serviço indicado…”

(música irritante)

(após uns bons minutos de espera – eu sei, sou um gajo paciente – ouve-se nitidamente o som de quem levanta o telefone para imediatamente o desligar outra vez)

(mais alguns segundos…)

“- Sim?” (voz familiar)

“- Estou sim, eu gostaria de falar com o gastro…”

(3ª vez que me interrompem)

“- Eu não acredito, peço imensa desculpa, voltaram a transferi-lo para as urgências, só um momento”

(música irritante, paciência a esgotar-se…)

(um minuto depois, finalmente, alguém atende…)

(ruído de fundo…)

“Oh Aaana!....Sim?”

(pela enésima vez, repito a lengalenga, cada vez mais resumida…)

“- Sim, bom dia, eu gostaria de falar com o gastroenterologista que está a seguir a minha avó, houve uma complica…”

“- Como se chama o médico?”

“- Dr. J., não me recordo do sobrenome.”

“- Só um momento…”

(mais alguns segundos daquela fantástica música)

“- Exames especiais, bom dia…”

“- Estou sim, eu gostaria de falar com o gastroenterologista da minha avó, o dr. J.”

“- Dr. quem?”

“- Dr. J.”

“ - Ele não está”

“ - Não está?!”

“- Não, nem hoje nem amanhã…”

(vontade de espancar alguém)

“- Hmm…ok, muito obrigado…”

(fim da chamada)

E já nem falo da linha azul do hospital, essa nem sequer funcionava. Passo a transcrever o que vem na folha de instruções fornecida à família após a cirurgia a que a minha avó foi sujeita: “em caso de complicação contactar imediatamente o médico”. I rest my case…

segunda-feira, março 05, 2007

Il labirinto del fauno


Simples e belo... Como tudo na vida deveria ser...
PS. Uma palavra para ti, bem sabes porquê... :) enjoy it*

sexta-feira, março 02, 2007

Divagações cinematográficas...

Quando falamos de cinema, pelo menos para um aprendiz de apreciador da arte como eu, falamos essencialmente da criação de atmosferas. Só agora tive a oportunidade de ver “Batman Begins”. O DVD andava para aí perdido no meio das revistas, whatever. Mas tenho que admirar o trabalho de Cristopher Nolan. Se realmente o objectivo é a construção de ambientes que nos envolvam, então todo o mérito ao homem que nos havia já surpreendido com a mestria de “Memento” e “Insomnia”. É fantástica a recriação de Gotham City, cinzentona, corrupta, alicerçada nos padrões do crime que mais tarde Bruce Wayne acaba por interiorizar, por meio de um processo de aprendizagem nunca antes visto em Batman, bem mais negro do que a fantasia dos vilões da comic book ou a despropositada feminilidade de Robin, o fiel compincha que aparecerá em aventuras subsequentes. Aqui o verdadeiro companheiro de Bruce é o mordomo Alfred, mostrando aquela sobriedade a toda a prova do grande actor que é Michael Caine. Mesmo a preparação para as seguintes aventuras do herói é extremamente bem feita. E depois aquela frase: “It's not who I am underneath, but what I do that defines me…” Absolutamente rendido.



E já que rebusco a temática, permitam-me uma curta opinião sobre os Óscares 2007. Com toda a sinceridade, gostei que “The Departed” tenha vencido. Não vi ainda “Letters from Iwo Jima” nem “A Rainha”, mas julgando pelo que me sobra, o filme de Scorcese pareceu-me, considerando as limitações do género no que aos gostos da Academia diz respeito (tem sido mais bonito dar o prémio a dramas, claro está), à vontade, o melhor.

Convenhamos, Clint Eastwood não podia ganhar mais um Óscar, já que tem essa pequena mania de tudo o que realiza ter nível para a estatueta, e a biografia da Rainha Isabel II, por muito boa que possa ser também, consagrará essencialmente a grandeza da actuação de Helen Mirren, justamente (pelo que dizem) galardoada com o título de melhor actriz principal. De “Little Miss Sunshine” guardei excelente impressão, pela subtileza com que aborda uma série de temáticas interessantes, sem nunca perder a leveza de uma boa comédia que por momentos nos consegue levar as lágrimas. Mas sendo o típico filme “indie”, dificilmente teria hipótese, até pela excelente consagração que já foi a estatueta de Alan Arkin como melhor secundário ou a nomeação da pequena mas talentosa Abigail Breslin. Quanto à obra de Inarritu, "Babel", junto-me facilmente aos muitos que dizem que este, sem ser um mau filme, tem sido certamente sobrevalorizado. Confesso que adorei o seu precursor na chamada triologia do medo, “21 gramas” (ainda me falta “Amores Perros”), e sendo assim, dificilmente acharia que este poderia alcançar o mesmo nível. Se o retracto das diferentes culturas, das falhas de comunicação ou do chamado efeito borboleta acabam por não estar mal gizados, a película parece caminhar para um desfecho que não existe, para uma hipotética conclusão que não convence ninguém. Uma bala perdida pode conduzir a um incidente internacional em ambiente pós-terrorismo, ok, a relação pais-filhos constitui-se de uma relevância primordial, sim sr, histórias em paralelo com um ponto em comum, óptimo, paisagens deslumbrantes relatando diferentes realidades pelo planeta fora, muito bonito. E o que isto nos traz de novo? Inarritu tem talento, sim, mas não pode fazer um filme como se de um prato novo baseado nos mesmos ingredientes de outras iguarias do passado se tratasse. O segredo não está certamente no que ele mete na panela, mas sim na maneira como o cozinha…



Quanto ao vencedor, bem, consagra finalmente a mestria de um dos melhores realizadores de Hollywood, que provavelmente já mereceria este prémio por realizações anteriores. Em “The Departed”, contudo, há uma intriga fantástica e que permite obter o máximo rendimento de excelentes actores. Não muito mais que isto, sim, mas de extrema qualidade. Nicholson é sublime. Aliás, quanto a mim, uma das grandes injustiças da Academia foi não o ter incluído no lote dos nomeados, bem como a “Blood Diamond”, um filme que consegue realmente arrebatar (a cena do reencontro de Solomon com a família no campo de refugiados é uma pérola, para além da que dá origem à intriga), contando com excelentes interpretações de Djimon Hounsou e de um Di Caprio cada vez mais maduro (como já havia acontecido no filme de Scorcese, começo a render-me…). De resto, da cerimónia em si, o que se esperava, tudo bem repartidinho, sem grandes ondas, com apresentadora a condizer, engraçada mas com moderação, não vá haver depois azia para aqueles lados (volta Jon Stewart, estás perdoado…). A reter a fantástica entrada em cena de Jack Black, Will Ferrell e John C. Reilly. Para o ano há mais.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

The Simpsons Movie Trailer #3

Já que não me deixam meter o verdadeiro video, fica pelo menos o link...

get ready....probably...to the best movie ever made...

http://www.youtube.com/watch?v=OL50ddCSJmo

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

SNS

O Sistema Nacional de Saúde:

A minha avó tem uma consulta de gastroenterologia, de pós-operatório, marcada para as 13.30 no Hospital Padre Américo. Por motivos de debilidade física justificada da paciente, os Bombeiros Voluntários mais próximos são contactados para o transporte a que têm direito desde o domicílio (neste caso cerca de 1 km de distância), financiado pela instituição hospitalar. Fica acordado estarem cá por casa pelas 13h.

13.15 Chegam os bombeiros.
13.20 Chegada ao Hospital. Entrega da documentaçao necessária na recepção.
13.30 Entrada na sala de espera da consulta externa da especialidade.
13.55 Chega o médico gastroenterologista.
15.20 Chamada para a consulta.
15.30 Acaba a consulta.
15.35 Ligo para os bombeiros para que estes venham transportar a paciente a casa.
15.50 Chegam os bombeiros ao hospital. Pedem para aguardar um pouco, visto que um deles vai visitar o sogro ao internamento.
16.15 Início do transporte para casa.
16.20 Chegada a casa.

Vá lá, podia ser pior. Imagine-se que o médico se atrasava mais do que meia hora a tomar café, que haviam mais do que 23 doentes marcados para esta tarde ou que o bombeiro também tinha por azar internada a prima da irmã mais nova do cunhado. Não tenham dúvidas, somos uns sortudos nós...

domingo, fevereiro 11, 2007

MEC

MEC é um dos meus cronistas preferidos. É culto, diverte, e espantoso bónus, ainda diz algumas verdades... Aqui fica uma das suas passagens:
"Quando se está na fossa quer-se sair, mas não é logo. Para se poder subir nas melhores condições quer-se primeiro que o outro desça um bocadinho até nós - ponha o dedo grande do pé na nossa fossa e diga «Desgraçado!». Apetece dizer: «Oh pá, não me animes assim a frio. Tem calma. Bebe um copo, comisera um bocadinho!»"
Miguel Esteves Cardoso, in Explicações de Português

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Dig - Incubus

We all have a weakness
But some of ours are easy to identify. Look me in the eye,
and ask for forgiveness.
We'll make a pact to never speak that word again.
Yes, you are my friend.
We all have something that digs at us,
at least we dig each other.

So when weakness turns my ego up
I know you'll count on the me from yesterday.

If I turn into another
dig me up from under what is covering
the better part of me.
Sing this song
remind me that we'll always have each other
when everything else is gone.

We all have a sickness
that cleverly attaches and multiplies
No matter how we try.
We all have someone that digs at us,
at least we dig each other.

So when sickness turns my ego up
I know you'll act as a clever medicine.
If I turn into another,
dig me up from under what is covering
The better part of me.
Sing this song!
Remind me that we'll always have each other
when everything else is gone.
Oh, each other when everything else is gone.
É absolutamente impensável que leia este post, aliás, só ligaria mesmo o pc se embarrasse no on ao limpar o pó, mas quanto mais não seja, pela sua personalidade, paciência, simpatia, altruísmo (e mais uma lista interminável de adjectivos que me escapam de momento...), e, essencialmente, enorme dose de coragem dos últimos tempos... talvez de sempre, esta sra merece uma pequena mas sincera homenagem... Afinal, hoje foi o dia dela, e valha a verdade, não fosse ela e não estava aqui eheh...
Parabéns D. Otília!!!

domingo, janeiro 28, 2007

O mundo da lua












Abrir os olhos...
Ver-te...
Reter-te...

Ao teu olhar, a tua aura...
O teu jeitinho de anjo...

Contemplar a lua (ou o paraíso...)
Todo um mundo no teu sorriso :) )

terça-feira, janeiro 16, 2007

Prison Break

Permitam-me falar um pouco sobre esta série. Para os que me aturam no dia-a-dia as minhas desculpas, já que não tenho calado a matraca nos últimos tempos acerca disto. Mas é que se trata mesmo de excelente televisão.

Para quem ainda não está a par (ainda bem que a RTP se dignou em comprar os direitos, se bem que sem a merecida publicidade, que por exemplo Anatomia de Grey, outra boa série, mas sem metade das virtudes desta, usufruiu aquando da sua estreia), a história de Prison Break gira em torno de Michael Scofield, o inteligente e reservado engenheiro civil que vendo o seu irmão mais velho injustamente condenado à morte, se atira propositadamente para dentro da prisão de Fox River, com um plano genial de fuga que visa a salvação de Lincoln.

Tudo o que mais rodeia o fio condutor da acção são efeitos colaterais, que vão desde as peripécias de cada um dos protagonistas da evasão, até ao mais alto patamar das teorias conspirativas, uma vez que, tal como afirma Scofield, "getting out is just the beginning..."

De resto podemos observar a receita que tem acompanhado as mais recentes séries de sucesso, como 24 ou Lost: múltiplos planos de acção, suspense a rodos, intrigas cuja resolução obriga a um esforço extra por parte dos nossos neurónios. O segredo de Prison Break, no entanto, na minha opinião, reside não só na sua excelente capacidade de gestão desses planos, com equilíbrio e coerência, mas também no grau de coolidade (perdoem-me o neologismo) do protagonista, por quem é impossível não sentir algum grau de simpatia. A sequência da história é muito bem dirigida, os actores têm qualidade e não parecem haver pontas soltas. Para além disso, um pormenor curioso: corre tudo mal aos homens, camandro! Quando se espera que alguém simpatize com as almas de modo a facilitar-lhes a vida, que alguém se "esqueça" daquele objecto, tenha aquela acção "conveniente" (coisa que é usual vermos noutras séries ou filmes do género), acontece precisamente o contrário, o que por si só é mais um motivo para não conseguirmos tirar os olhos da tv.

Simplesmente magnífico, viciante... Se por momentos esquecermos a eternidade dos Simpsons e a classe de Os Sopranos, arrisco a dizer que é a melhor série que vi até hoje. Por isso fica a dica… Altamente recomendada!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Só duas ou três coisinhas...

Coisinha nro. 1. Poucas vezes tiro fotos tipo passe. Raramente tiro fotos tipo passe. Aliás, só quando obrigado e atiçado por uma matilha de canídeos esfomeados é que tiro fotos tipo passe. Mas como tendo a promover a qualidade, tenho por hábito frequentar sempre o mesmo fotógrafo. Há um glamour incontornável naquele laboratório. A começar pelo próprio fotógrafo, de cabelo branco, idade respeitável, sempre com aquele sorriso sincero, a pose austera, de mãos atrás das costas e amabilidade incontida, aquela simpatia que faz brilhar os olhos de cada vez que a campainha toca. Umas escadinhas no vão, o corredor estreitado pelos vasos… Um gato molengão, daqueles a quem a vida deu mais sorte do que a própria sorte lhe poderia contar, miar mimado, passo que se arrasta… As fotos, claro, essas de mil sorrisos, caras bonitas, o Sameiro iluminado…parei nas máquinas antigas, tiradas de filme dos anos 20. Depois a postura. Ao milímetro. O pequeno banco, cruzar a perna, esperar pelo flash, a cara feliz. E já está. A preocupação genuína pela dignidade da foto, coisa já rara de se ver… Ao sair rever bem a dita, que pode alguma coisa estar mal… Tenho direito a poster. Tenho direito a por momentos saborear o encanto de um pequeno mundo. Com a promessa que voltarei…obrigado.

Coisinha nro. 2. Há jogadores que definem o significado da palavra classe. Que têm requinte, postura, personalidade com uma bola nos pés, provando aos seguidores da coisa que ainda é possível ver arte no desporto. Rui Costa é um deles. Fico feliz pelo seu regresso. E sou portista.


Coisinha nro. 3. Encontro amigo antigo e ponho a conversa em dia. Segundo ele, pessoa recta e realista, a grande vantagem dos Estados Unidos acaba por ser a sua suprema variedade. De pessoas, locais, culturas, etnias, bancos de autocarro ou simplesmente coisas. E de respeito. O que desde logo, abrindo espaço para debater um sem número de situações, faz pressupor algo muito simples. Construir o nosso próprio estilo, a nossa própria vida, a nossa própria cena sem que ninguém nos incomode por isso. E com o bónus de haver quem goste disso. Há quem sequer não saiba que isso é possível, há quem passe toda uma vida ignorando que podia ser mais feliz. Estranho. Não seria esse o objectivo que nos traz por cá?


Coisinha nro. 4. De cada vez que venho para o pc deparo-me com uma bola de chocolate estrategicamente situada de forma a me poder torturar todos os dias. Estranho dilema este… Devorar ou não devorar? Manter a obra, de regalo indiscutível, ou simplesmente adoçar a mente com o petisco, saboreando-o a cada trago? Apesar das inegáveis vantagens da segunda via, prefiro deleitar-me com as inevitabilidades da primeira. De cada vez que vislumbro o esférico, bem perto do botão do “Iniciar”, lembro-me que ainda há pessoas genuinamente belas neste mundo, capazes de o apreciar com a pureza imprópria da sociedade actual . Sim, tenho sorte.

terça-feira, janeiro 02, 2007

A lua...


Só queria escrever algo que ousasse alcançar, por momentos que fossem, o estatuto da tua beleza...

Mas não creio que o consiga. O céu fica demasiado longe... e as palavras que me ocupam são vagas, gotas num oceano que só pode ser de felicidade...

Importa o sentimento... e a lua ;)

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Ano novo...

A cada lágrima que me assalta o brilho do sol e o manto da noite. Pensei em alternativas, mas em vão. Tento a fugaz via da evasão que sei ser ineficaz. Não sei que mais fazer senão vergar-me ao desenrolar das coisas, porque o destino quer que assim seja e eu não tenho força para o enfrentar. Prefiro agarrar no cobertor e anichar-me num canto escuro, longe da acção do mundo, afinal o único local onde poderei ter paz. Não, não é um exagero, mas sim o simples caminho que me resta tendo em conta o momento. Porque viver do momento tem este preço. Tanto subir aos píncaros como viver refém das suas opções. Porque as coisas às vezes não têm de fazer sentido. Porque não devia haver lugar para mentalizar. Ou tal como dizia Proust: “Em amor é um erro falar-se de uma má escolha, uma vez que, havendo escolha, ela tem de ser sempre má.”
PS.: O balanço de 2006 fica para uma próxima oportunidade. O que só pode ter um significado. Que as coisas, em matéria de alma, pois claro, até correram bem, pois senão já tinha tinha dissertado sobre o assunto, isso com toda a certeza.

domingo, dezembro 31, 2006

NYE

Queria ser original...mas não consigo.

Fica a sinceridade do voto, afinal o que mais importa no meio desta catrafada toda.

FELIZ 2007!!


PS.: prometo redimir-me em breve...

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Christmas divagations


Há dias fui obrigado a comprar uma peça nova para o carro. Até aqui tudo bem, mas só até à parte do preço. “É caro mas bom!”, argumentava a senhora. O que me dá margem para toda uma série de divagações. Não que importe discutir a valia técnica do componente, a forma como encaixará na perfeição no conjunto da máquina ou até como fará o veículo chegar aos 100 em 5 segundos. O que interessa verdadeiramente aqui é o conceito subjacente, isto é, tudo o que é bom terá de ser efectivamente caro? Ou posto por outras palavras, tudo o que é bom tem um preço?

A questão coloca-se permanentemente na nossa vida. O sacrifício pessoal é algo de nobre, mas por vezes inútil. Os esforços medem-se em escalas diferentes, como se de sistemas de medida independentes se tratassem, porque o mundo é mesmo assim, pleno de diversidade e mentalidades.

Para sempre perseguirei as razões do ser, do agir, do acontecer. Não importa a forma, as consequências, mas a busca em si, o objecto do gesto, se calhar nunca as respostas, mas a pergunta por si só. É a última fronteira que me separa da loucura, de um sistema de vida conformado e dogmático, sem ponta de irreverência pela qual esta passagem faça sentido. É o meu último reduto, o meu último refúgio, aquilo a que me agarro naquelas noites mais difíceis antes de adormecer. Sim, logo a seguir aos pensamentos auto-destrutivos e à tentativa infrutífera de trazer mais alguma justiça a este mundo. Logo a seguir a descobrir que sou paciente, porventura chato, excessivamente obcecado em ideias e assuntos de mentalidade e afins, honesto até uma permissividade que me arrasa. Mas livre.

Talvez por isso esteja a escrever sozinho, ao sol, em plena tarde de Natal. Sozinho não, tenho a minha avozita, vergada pelo peso de uma dessas coisas que não fazem sentido na vida, sentada a meu lado. E isso orgulha-me.

domingo, dezembro 24, 2006

Merry Christmas

Aos cerca de 4 amigos e 2 emigrantes de leste que visitam este humilde espaço, ficam os sinceros votos típicos da quadra, que é como quem diz, pelo menos por aquilo que me ensinaram, BOM NATAL!!

Em vez da bonecada costumeira, deixo este link, experimentem que é engraçado...

http://www.busybus.co.uk/design/xmas_santa.swf

sábado, dezembro 09, 2006

Star Wars-Imperial March

só pq é fixeee...

sexta-feira, dezembro 08, 2006

O que foi aquilo?

Matosinhos, uma da manhã, fiat da Marta. Conversa entretida entre amigos, frio lá fora, vidros embaciados. Vindo do nada, surge, de braço dado a um qualquer figurante, Rui Reininho. O tal das dunas e do efectivamente e da panca na cabeça. Dirige-se a nós, sorridente, como amigo de longa data, abre a porta da frente, cumprimenta a Marta com dois beijos e despede-se, balbuciando qualquer coisa como "isto é só droga..."
Alguém, de bom senso, sério, íntegro, e preferencialmente sem registo criminal, por favor, me explica... que raio foi aquilo? Um "flash", um "vibe", uma alucinação colectiva?! Juro pelo que existe de mais sagrado, só bebi mesmo um chocolate quente...

terça-feira, dezembro 05, 2006

Incubus - Anna Molly

a bela da musca...

segunda-feira, novembro 27, 2006

Chuva lá fora. A alegria entrecortada. Chuva cá dentro.
A mais pura certeza que a alma só se abre quando o espírito não é mais do que uma janela molhada.

Quis o mundo mostrar-me o mais básico dos anticivismos. Coisas de pouca monta, trivialidades de um jogo que não interessa à cultura.

A alegria entrecortada.

O sofá parece acolhedor nestas alturas. Uma série da Fox e umas bolachas de chocolate. Envelhece-se depressa, sem deixar correr o tempo. Os pequenos prazeres parecem sempre demasiado efémeros...

quinta-feira, novembro 09, 2006

Inspiro-me

Inspiro-me? Nada mais errado.
Como se o ego não se construísse. Deixaste-me assim, a pele nua. Um Outono de palavras, com folhas secas de pontuação. Foi-se o momento, a respiração sentida. Agora o que resta é um manto de pensamentos. O peito cansado e uma memória recalcada.
Espero rever-te, sem mais delongas, o negro justo, o coração apertado, a esperança de que retornas... sempre. Sem destinos retorcidos, confusões de tempos ou relógios chatos, inoportunos. Apenas tu. Como se o mundo não se concluísse. Basta-me o olhar, o sorriso, o peso da tua mão...
Agora sim, inspiro-me. O tempo passa, mas tu não.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Sucesso


Hoje fui o último a sair do balneário. Apetecia-me sentir até ao último assomo da sua existência temporal aquele saborzinho da vitória, aquele eco dos festejos, aquele trago de sucesso que senti também ser meu. Acima de tudo sentia-me útil. Aquilo a que os mais românticos chamarão a “sensação do dever cumprido”. O sucesso será sempre mais uma ferramenta de medição das coisas, bem sei, não comparável à rectidão de uma fita métrica ou de um conta-quilómetros, mas ignorando-se as intromissões de invejas ou afins, o seu valor é inegável e de longe o mais reconhecido. Tem o poder de esquecer agruras e relevar optimismos. De afastar maus augúrios e exacerbar agradecimentos. Mas também a capacidade de por ténues momentos, pelo meio dos seus exageros, arrastar consigo a justiça…

Apertei o casaco e olhei uma última vez para a bancada agora vazia. Ao fundo as nuvens laranja, silenciosas companheiras de cenário, em último vislumbre de tranquilidade… Era tempo de voltar à vida, às perrices, aos distanciamentos indevidos, às pressões, aos egoísmos, às reflexões de pé de chinelo e um mais não sei quê de algo que não importa.

Deixemo-nos por momentos de apertos indevidos. Já bastam as amarras da mente, aquelas que nos incomodam quando a sorte tudo torna fácil, demasiado simples para aqueles pensamentos intrincados. Há-de vir sempre mais uma filosofia, um estigma que teime em estragar e tirar o sentido das coisas.

Deixem-me por momentos respirar o ar de fim de tarde, relaxar ao sabor de uma tranquilidade doce, sentir a brisa, não o vento, desligar o rádio e seguir caminho em estrada aberta…

Deixem-me parar de ser injusto, de procurar incessantemente a justiça, de ter medo de arriscar, de arriscar quando não sei, de não pensar antes de agir, de viver a vida a pensar…

Libertem-me as amarras da mente, os complicómetros da vida, deixem-me alcançar a realização, deixem-me ousar seguir o trilho… em direcção ao sucesso.
PS.: Não tenho outra tradução para a injustiça: desculpa-me.

sábado, novembro 04, 2006

Um minutinho

Eh pah, façam uma pausa e tirem um minutinho... Depois digam-me se não valeu a pena :p

http://www.youtube.com/watch?v=X7SWS4RoUYU

domingo, outubro 29, 2006

O jogo...


A pedido de algumas famílias, aqui fica a crónica do clássico. Aquele jogo. O jogo...
FCP 3 SLB 2
Com um início de jogo agressivo, a pressionar bem alto e a cortar as iniciativas do adversário bem junto à área benfiquista, o FCP encostou o rival às cordas. Anderson e Quaresma conseguiam ter bola nos pés no último terço de campo e isso constitui, por si só, um risco que normalmente se paga caro. Daí que, já depois de Lucho ter posto à prova Quim e Anderson ter tirado tinta à barra, ambos em lance de bola parada, o golo de Postiga/Lisandro, tenha vindo mesmo a calhar para as ambições portistas. Indiscutivelmente um golo de sorte, mas também uma consequência lógica da sagacidade da entrada portista e, mais do que isso, do excelente momento psicológico que atravessa o avançado, rematador, dinamizador, chatinho para os defesas, para mim o melhor jogador em campo.

O Benfica, por sua vez, tal como disse o engenheiro, falhava claramente no processo defensivo (muito espaço entre linhas, falta de agressividade na luta pela posse de bola, desacerto nas marcações), contudo, desde cedo começou a explorar a brecha que era o lado direito da defesa azul, o lateral Fucile, jogador com grande propensão atacante mas demasiado tenro a defender. Leo só não fez mais porque o pé direito não o permitiu…

Sem tirar o pé do acelerador, o Porto chegou ao 2-0. Momento mágico de Quaresma, a limpar Nelson do lance e depois a “engatar” aquele fantástico remate em arco. O Benfica andou depois a deriva. Os azuis aproveitaram o elan e chegaram-se a ver cruzamentos de letra. Não será excessivo afirmar que cheirou a goleada. Mas surge depois o momento do jogo. Anderson sofre entrada dura de Katsouranis e sai, lesionado. Jesualdo não arrisca e reforça a intermédia com Meireles. 1º erro, Lucho não é jogador para assumir decisões na transição defesa-ataque, e com dois médios defensivos a linha baixa do meio campo portista parece vacilar (como se havia notado contra o Sporting). Notou-se variadas vezes quando o desamparado Fucile tinha que levar com Simão, Leo, as vezes Paulo Jorge. À falta de extremo para ajudar a defender (Lisandro é voluntarioso, mas ocupa ineficazmente os espaços, Quaresma simplesmente não vem), e com Lucho com mais liberdade para atacar, seria um dos médios mais recuados a ter a obrigação de fechar o flanco, o que nunca veio a acontecer durante todo o jogo. O Benfica consegue então equilibrar a contenda, acerta as iniciativas de ataque e esmaga completamente o lado direito portista, graças ao qual cria duas oportunidades de golo, por Kikin e Paulo Jorge. Helton responde com classe.

A segunda parte inicia-se ao mesmo ritmo. Os benfiquistas entram forte, sempre a atacar pela esquerda. Depois uma fase de equilíbrio, mais graças ao voluntarismo de Postiga e ao talento de Quaresma do que propriamente à capacidade de circulação de bola portista, quase nula depois da saída de Anderson. Com a entrada de Nuno Assis e Mantorras, o Benfica assume claramente a superioridade do jogo. Katsouranis aproveita a ingenuidade de Fucile e reduz. Jesualdo demora a reagir e quando faz, fá-lo mal. Tira o único desiquilibrador e faz entrar Tarik, sem ritmo e sem chama. Depois de perda de bola de Cech (era notório que não havia a quem passar a bola em fase da definição do último passe), uma jogada exemplar do contra-ataque benfiquista e o empate, por Nuno Gomes. Justo.

O final de jogo foi emocionante. Havia claramente duas equipas a procurar a vitória. O FCP aproveitou-se talvez do seu maior querer e da sorte do jogo que já havia mostrado ter aquando da marcação do primeiro tento. Ironicamente foi Fucile a lançar. Não já tão ironicamente foi Moraes a marcar. O miúdo foi a melhor (única boa) substituição do professor Jesualdo.
Em suma, o empate parecia-me o resultado mais justo. Mas também há que reconhecer, que nos momentos de superioridade, o Porto conseguiu mesmo encostar o adversário as cordas, e a infelicidade de Anderson, a meu ver, foi mais de metade da felicidade do Benfica. Mas fica o mais importante, um excelente jogo de futebol

sexta-feira, outubro 27, 2006

Sentiste?


Sentiste o mundo a parar?

As gotas da chuva que subitamente já não molhavam, as nuvens que agora já não corriam, a leve brisa do vento que por instantes cessou?

O momento de paz que se prolonga sem destino aparente, o pensamento que se afasta, para bem longe, para a terra do mar e dos luares brilhantes, das folhas secas decalcadas em cada passo teu, do bocadinho de céu deixado para trás pelos anjos em dia de pressa indevida…

Sei porque o sinto. Acabou-se o temor. Só porque algo acontece. Tu. Basta-me, envolve-me, engrandece-me, completa-me. Algures entre a indignação e a virtude…ou apenas entre o sentimento que permanece, imune a intempéries ou inundações mundanas, muito menos esse oceano…

Vejo as árvores de outra maneira, agora têm nome, personalidade, protegem-nos! A vida prega-nos cada partida… O beijo? :) sorrio, apenas. Quero que tudo seja assim… Um beijo, um sorriso, uma gota, um abraço, um sem número de acasos simples que esbocem esse trilho. Que a lua apareça em todas as noites. Que a água continue a correr, lentamente, nos rios. Que a terra, vista da lua, continue a ser azul…

O beijo? Sorrio, apenas…
PS.: este sol radioso…ou o poder do teu sorriso? ;)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Dias...


dias

Aqueles dias em que se acorda ao contrário, virado para os astros do mal, amaldiçoando a chuva na vidraça que há bem pouco tempo nos afagava antes do sono…

Aqueles dias em que procura um rumo, se luta por esse reconhecimento, por essa festinha na alma que nos faça sentir melhor, se procura um sucesso firme, uma etapa verdadeira…

Os dias em que acordar não é mais do cumprir o piloto automático…

Valha-nos um recanto… A luz da lua, outra vez, as sombras de um encanto inesgotável, a beleza de uma alma tão pura que nos parece janela para o céu… Uma sorte que nos faz parecer indignos perante tamanha graciosidade…

Afinal acordei abençoado…afinal a chuva na vidraça mais não era que a antecâmara da tua visita, com o encanto de uma manhã de Outono, mais as folhas secas, o ambiente calmo e acolhedor, o gesto simples e afável, a ternura que só tu sabes oferecer…

“Will you still love me in the morning?”
“Forever and ever, babe…”

domingo, outubro 15, 2006

O talvez e o sacrifício


Tenho um banco no pátio em que me costumo sentar para escrever. Hoje lembrei-me do quanto havia já passado desde a última vez que o usara. Penso que talvez tenha mudado o meu sistema de orientações, de forma a que as divagações existenciais já não mereçam espaço privilegiado por entre as preocupações rotineiras ou os assuntos de amor que tanto enobrecem a alma. A mesma ordem de razões que me impedem de deixar escorrer aquele lado manhoso de temporadas passadas, de trago fácil e cigarrada à descrição, estórias contadas ao sabor de um cálice e de um discurso sentido. Talvez com propriedade possa dizer que me sinto velho. Talvez não esteja talhado para viver entre as preocupações mundanas da sociedade que nos acolhe. Ou talvez apenas não queira aceitar os sacrifícios como vivências quotidianas como toda a gente os vê. Talvez não olhe para o sacrifício como algo curriqueiro, porque na equação simples da vida sempre me habituei a olhar para ele apenas como um meio para atingir um fim. Um fim que mais não represente do que o inicio de uma nova luz, um fim que motive, que nos lembre o que fazemos por aqui, o objecto de uma existência. Um fim que nos orgulhe…e que nos trace um rumo. Dito assim, quase que aposto, ninguém lhe chama sacrifício

"Temos de renunciar ao mundo para o compreender."
Jean Grenier

segunda-feira, setembro 25, 2006

O momento...


Já viste estas nuvens? E as montanhas? E as luzes das casinhas perdidas no horizonte?
Eu sei, são bonitas…
Só dizes isso? Como podes ficar tão indiferente?
Conheço tudo isto, moro por cá…
Tens ideia da sorte que te assalta?
Talvez não, desconheço o meu rumo.
E não te preocupas?
Isso ser-me-ia completamente inútil.
Não posso acreditar! Apercebes-te tu da infinidade de coisas que te rodeiam? Dos pormenores que tornam a tua existência algo mais do que aprazível? Da aura que te acompanha para todo o lado para onde vais, como se de um anjo da guarda se tratasse? Acorda, vive, sente…A vida, não fundo, não passa de um momento.

"Pensa no momento. Todo o pensamento que perdura é contradição."

Marcel Schwob

segunda-feira, setembro 18, 2006

Os melhores momentos do amor


"Nos transportes do amor, na conversa com a amada, nos favores que recebes dela, até nos mais extremos, vais mais em busca da felicidade do que à tentação de provar isso de que o teu coração agitado sente uma grande falta, um não-sei-quê de menos do que ele esperava, um desejo de algo, mesmo de muito mais. Os melhores momentos do amor são aqueles de uma tranquila e doce melancolia em que choras e não sabes porquê, e te resignas quase na quietude a um infortúnio que desconheces. Nessa quietude, a tua alma está quase cumulada, e quase sente o gosto da felicidade. Assim como no amor, que é o estado da alma mais rico de prazeres e ilusões, a melhor parte, a via mais correcta para o prazer e para uma sombra de felicidade é a dor."

Giacomo Leopardi, in 'Pensamentos Diversos'

domingo, setembro 10, 2006

Confissões de uma mente perigosa...


Os momentos de reflexão têm destas coisas, a de por vezes nos mostrarem as nossas burrices. Gostava ter começado aqui de outra forma. A sério que sim. Acho que a origem deste quadro de registos merecia outra coisa. Mas tal como não podes fugir dos teus próprios medos, também eu por vezes me sinto incapaz de tornear os meus defeitos. Está claro que nunca irei conseguir ser tão bom como tu. Estás nos píncaros de tudo o que a bondade pode significar. Eu limito-me a seguir os trâmites desta vida que me persegue a cada dia que passa. Tomo as decisões em função do que penso ser correcto. Meço o meu ego, encho-o à custa de calculismos fúteis e sigo a minha vida, esquecendo-me muitas vezes do maior raio de luz que entrou na minha alma desde que o sol voltou a sorrir. Sou egoísta e insensível, e pior do que isto, integro-o como algo aceitável. Oxalá o mundo fosse um lugar mais simples. Podia clamar-se por justiça, como se de uma heroína se tratasse, para repor no coração de quem o merece o carinho que constantemente dá. Mas o mundo não é assim tão simples, nem eu, e por isso tenho medo. Medo do mundo, medo das coisas…no fundo, medo de mim.
09/09/06
algures entre Amarante e Penafiel

terça-feira, setembro 05, 2006

Só mais um post(e)


Enquanto deambulava ontem pelos Correios, não consegui deixar de reparar na vasta colecção de obras literárias que se acomodavam nas estantes. Livros de auto-ajuda, o livro de S. Cipriano em versão resumida, romances de trazer por casa… Dei por mim a pensar nessa coisa estranha que é a motivação pela escrita, ou os momentos de inspiração que a acompanham com indesmentível coerência. É coisa que nasce com a pessoa? É coisa inconstante, que aparece e desaparece sem aviso? Se nasce connosco porque vai embora de vez em quando? E se não é constante, então como sabemos quando a esperar? Enfim...

Vinha isto a propósito desta prolongada ausência de post(e)s. Tinha acabado, pela altura em questão, de cumprir a minha obrigação diária de fazer alguma coisa por mim próprio. Mais do que uma questão de auto-comiseração, faz-me dormir descansado. A sensação do dever cumprido ou a pequena ilusão de que uma simples carta poderá dar um novo rumo à nossa vida…

Adiante. Se há coisa que me acalma são as paisagens do campo da Belavista. Os calorosos cumprimentos do sr. António são já banalidade carinhosa, atestados de incompetência profissional é que não. Reajo firme e sigo em frente com vigor.

Segue-se uma “piscinada” relaxante (eu e os neologismos, que se há-de fazer…). Assim dá gosto misturar trabalho com lazer… De regresso a casa a confirmação de uma constatação há muito conhecida: o calor impede-me de funcionar correctamente. Devia ter nascido com uma etiqueta no pescoço, bem visível, que dissesse “manter a temperaturas abaixo dos 30º, em caso de avaria meter num avião e enviar para as Maldivas, mas com carinho”.

Chegas hoje. Não faz mal. No fundo no fundo, nunca de cá saíste.

PS.: Só mesmo para escrever mais um post(e).

sexta-feira, agosto 11, 2006

O teu dia


Escrevo-te hoje porque é o teu dia.

Porque hoje mereces ser lembrada do quanto tens de bom, do quanto ofereces todos os dias a todos os que te rodeiam, do quanto melhoras este universo desde o dia em que nasceste.

Mas também…

Porque mais do que nunca há um sentimento especial que surge
Como a doçura das manhãs que nos abraçaram
Ou a brisa da enseada que nos afagou
O toque, a caminhada, o intimismo puro

Ou um simples pôr-do-sol por entre as montanhas
Só suplantado pelo meu melhor cenário…
Tu…

Parabéns :)

***

quinta-feira, agosto 03, 2006

Meus lindos olhos



Meus lindos olhos,
qual pequeno Deus
Pois são divinos,
de tão belos os teus.

Quem tos pintou,
com tal condão
Jamais neles sonhou
criar tanta imensidão.

De oiro celeste,
Filhos de uma chama agreste
Astros que o alto céu revestem
E onde a tua história é escrita.

Meus lindos olhos, de lua cheia
Um esquecido do outro,
a brilhar p’rá rua inteira.

Quem não conhece teu triste fado
Não desvenda em teu riso
um chorar tão magoado.

Perdões perdidos
Num murmúrio desolado
Quando o réu morava ao lado
Mais cruel não pode ser.

Este fado que aqui canto
Inspirou-se só em ti
Tu que nasces e renasces
Sempre que algo morre em ti

Quem me dera poder cantar
Horas, dias, tão sem fim
Quando pedes só para mim
Por favor só mais um fado.

Mafalda Arnauth